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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 98 :: Agosto/2006 :: -

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Fernando Fernandes

Se a Coréia do Norte decidir atacar um de seus vizinhos, em que mapa devemos buscar explicações? Qual a verdadeira personalidade astrológica de um dos países mais fechados do mundo?

A imagem que ilustra o título deste artigo vem de uma foto do webdesigner russo Artemii Lebedev, que conseguiu viajar à Coréia do Norte em 1995 e saiu de lá com uma grande quantidade de fotos proibidas. Aproveite para conhecer o trabalho de Artemii em http://www.tema.ru/travel/choson-1/ e http://www.tema.ru/travel/choson-2/

Decifrar o mapa da Coréia do Norte e entender seu padrão de ativações é uma das tarefas mais urgentes do astrólogo interessado em temas mundiais. Ao lado de Índia e Paquistão, Israel e seus vizinhos, Iraque e Irã, sem falar nos Estados Unidos e nos países da região do Cáucaso, a Coréia do Norte é um dos grandes barris de pólvora da atualidade, podendo explodir a qualquer momento.

A data e o horário considerados por Dimitri Camiloto em outro artigo desta edição são uma das opções possíveis para o levantamento de uma carta para a Coréia do Norte. Todavia existem outras. Para entender qual delas representaria uma escolha mais adequada, é necessário considerar os fatos.

A divisão das duas Coréias

Num encontro à meia-noite, em 10 e 11 de agosto de 1945, oficiais do Departamento de Guerra, incluindo John J. McCloy e Dean Rusk, decidiram tomar o paralelo 38º como linha divisória entre as zonas de influência soviética e americana na Coréia. Nem as forças soviéticas nem os coreanos foram consultados. Em conseqüência, quando 25 mil soldados americanos ocuparam a parte sul da Coréia no início de setembro de 1945, descobriram-se no meio de um forte movimento nativo pela independência e pela mudança da herança colonial. Tudo o que os coreanos queriam era resolver seus problemas por conta própria, o que os fazia muito pouco tolerantes com relação a qualquer insinuação de que eles ainda não estariam prontos para a autodeterminação. [Fonte: The Library of Congress Country Studies (on-line), North Korea: THE NATIONAL DIVISION AND THE ORIGINS OF THE DPRK.]

Outra foto de Artemii Lebedev. Uma cerca eletrificada envolve a praia norte-coreana e impede tentativas de fuga por mar.

Para entender melhor: durante décadas, a península coreana permanecera na condição de província anexada pelo Japão. Com a derrota nipônica para os Estados Unidos na Segunda Guerra, a península foi ocupada simultaneamente por tropas americanas, que desembarcaram ao sul, e por divisões soviéticas, que invadiram a região pelo norte. Se bem que as duas potências tivessem atuado como aliadas durante a II Grande Guerra, a partir do momento em que a derrota de alemães e japoneses se tornou inevitável as diferenças entre ambas começaram a aparecer. Americanos e soviéticos trataram então de ampliar suas respectivas áreas de influência, naquilo que se convencionou chamar "Guerra Fria". Os soviéticos ocuparam toda a Europa Oriental, que passaria a constituir, daí em diante, a chamada "Cortina de Ferro". O mesmo movimento poderia ser realizado na Coréia, o que motivou a decisão americana de promover a divisão das áreas de influência.

O mapa de 10 de agosto de 1945 - apenas quatro dias depois da bomba de Hiroshima, diga-se de passagem, não é de forma alguma o da constituição do Estado da Coréia do Norte, mas sim o de um momento importantíssimo na história da Guerra Fria, com conseqüências de largo alcance na geopolítica asiática. Mais ainda: tal ato não segrega o norte do restante da península, pois o que ocorre é exatamente o oposto: é o sul que se separa do norte por uma decisão da potência de ocupação.

O mapa de 10 de agosto pode, assim, ser considerado como o da divisão das duas Coréias, mas não o da constituição desses dois países, que permaneciam ainda na condição de territórios ocupados. Analisar esta carta significa analisar o momento em que os Estados Unidos tomaram uma decisão cujas conseqüências ainda afetam a vida de milhões de pessoas até os dias de hoje.

Os mapas da Independência e do Governo Provisório

Para os próprios coreanos, mais importante é o Gwangbokjeol, um feriado nacional comemorado nas duas Coréias para lembrar a independência com relação ao Japão, em 15 de agosto de 1945.

Contudo, independência do Japão não significava ainda autonomia. Por isso existe uma terceira data para confundir os astrólogos: trata-se de 6 de setembro de 1945, quando pela primeira vez uma assembléia de representantes do povo coreano teve lugar em Seul, proclamando um governo provisório. Esta data pode ser considerada uma alternativa para a fundação da Coréia do Sul. No dia seguinte, porém, os Estados Unidos anunciaram o General John R. Hodge como novo administrador do país. Recusando-se a receber os representantes do "governo provisório", ele desembarcou com suas tropas no porto de Incheon e tratou de promover uma ocupação militar.

Dois novos países soberanos

As duas metades da Coréia permaneceriam ainda três anos na condição de territórios administrados e ocupados por tropas estrangeiras, até que, quase ao mesmo tempo, americanos e soviéticos "concedem a independência" a suas respectivas áreas de influência. É uma independência vigiada e militarizada, mas mesmo assim inevitável, tendo em vista o forte sentimento autonomista que subsistia na população.

Na Coréia as linhas já estavam traçadas. Com as tropas apoiadas pelos soviéticos ao norte e as forças americanas ao sul, os esforços conduzidos pelas Nações Unidos para reunificar pacificamente o país fracassaram. Em 1948 os sul-coreanos elegeram Syngman Rhee presidente da República da Coréia. Em resposta, os soviéticos logo criaram e reconheceram a República Democrática da Coréia do Norte. A linha divisória entre os dois países, agora sancionada pelas Nações Unidas, continuou a tomar como base o paralelo 38°.

(Fonte: http://www.quartermaster.army.mil)

Os Estados Unidos só transferem o poder aos locais quando conseguem eleger um político de viés ditatorial e totalmente subordinado aos interesses americanos - Syngman Rhee, que governaria o país com mão de ferro por décadas. A instalação do primeiro governo da Coréia do Sul acontece em 15 agosto de 1948 (exatamente três anos após a independência), enfatizando o Sol leonino desse país.

Coréia do Sul, carta solar - 15.8.1948 - Seul, Coréia do Sul - 37n33, 126e58.

Já a fundação oficial da Coréia do Norte acontece menos de um mês mais tarde, em 9 de setembro de 1948. A data nacional da Coréia do Norte é, desde então, 9 de setembro, sempre marcada por agressivas exibições de poderio militar e comemorações cívicas. A carta para a fundação oficial, cujo horário se desconhece, parece ser a mais indicada para a compreensão de como a Coréia do Norte conduz seus assuntos internos e como se vê como nação.

Tal carta vem passando, em meados de 2006, por fortes ativações, com destaque para dois trânsitos: o de Urano em Peixes oposto ao Sol radical em Virgem e o de Saturno chegando à posição radical de Plutão em Leão. Combinados, estes trânsitos podem traduzir a rebeldia (Urano-Sol) da Coréia do Norte em admitir qualquer espécie de controle (Saturno) sobre seu programa nuclear (Plutão).

Desde sua fundação, a Coréia do Norte sempre manteve forte rivalidade para com os Estados Unidos. O corrosivo e enganador Netuno ocupa, no mapa norte-coreano, uma posição que o coloca em quadratura com o Sol dos Estados Unidos, em Câncer, além de formar conjunção com o Saturno americano, em Libra. Não é sem motivo que americanos e norte-coreanos jamais se entenderam. A relação entre os dois países é um diálogo de surdos, sendo compreensível que Washington defina o regime de Piongiang como não confiável (Sol-Netuno em aspecto tenso!).

Coréia do Norte, carta solar - 9.9.1948 - Piongiang, Coréia do Norte - 39n01, 125e45.

Os mapas da guerra e da paz

Uma última data, desta vez com horário preciso, também deve ser levada em conta para a plena compreensão do imbroglio coreano:

Às quatro horas da manhã de domingo, 25 de junho de 1950, projéteis de artilharia começam a chover sobre Kaesong, a antiga capital coreana. Em seguida, vêm as tropas norte-coreanas, que cruzam o paralelo 38º e atacam a Coréia do Sul com todas as forças. Horas mais tarde, numa reunião de emergência, o Conselho de Segurança da ONU aprova uma resolução apelando por um cessar-fogo seguido de imediata retirada das forças invasoras. O exército da Coréia do Norte ignora a resolução e continua sua rápida ofensiva em direção a Seul, encontrando no caminho as surpresas unidades sul-coreanas que, uma a uma, são capturadas ou obrigadas a recuar.

(Fonte: http://www.quartermaster.army.mil)

Início da Guerra da Coréia - 25.6.1950, 04h00 (+09:00)
Kaesong, Coréia do Sul - 38n22, 128e29.

Trata-se, portanto, do mapa do início da Guerra da Coréia, que se estenderia por longos três anos envolvendo tropas locais, soviéticas, chinesas e americanas. O acordo que pôs fim a esta guerra foi o Tratado de Panmunjom, redigido em coreano, inglês e chinês e assinado às 10h da manhã (hora local) do dia 27 de julho de 1953, e cujos efeitos passaram a vigir às 22h daquele mesmo dia.

O Tratado de Panmunjom estabelece diretrizes geopolíticas válidas até hoje, no que diz respeito à fronteira entre os dois países e ao estabelecimento de uma zona desmilitarizada. A Coréia do Sul, diga-se de passagem, continua abrigando um maciço contingente de militares americanos.

Conclusão

Sete diferentes mapas - desde o da divisão inicial da península, decidida em Washington, até o do cessar-fogo após três anos de guerra - fazem das duas Coréias um prato cheio para especulações astrológicas. A escolha de que mapa utilizar depende do objetivo: para tentar entender as tensões entre as duas Coréias, as melhores escolhas são o mapa da divisão (10 de agosto de 1945) e os dois da Guerra da Coréia (início e cessar-fogo). Para entender a natureza particular de cada um dos dois países, assim como os altos e baixos dos respectivos processos históricos, valem o mapa da independência com relação ao domínio japonês (15 de agosto de 1945) e os mapas de fundação nacional do norte e do sul, ambos de 1948. Já a relação de desconfiança mútua entre Estados Unidos e Coréia do Norte precisa ser rastreada em pelo menos três dessas cartas: o da divisão inicial (1945), o da Fundação da Coréia do Norte (1948) e o do cessar-fogo da guerra (1953).

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