Constelar Home
menu
Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 95 :: Maio/2006 :: -

Busca temática:

Índices por autor:

| A - B | C - D | E - F |
| G - L
| M - Q | R - Z |

Explore por edição:

1998 - 2000 | 2001 - 2002
2003 - 2004 | 2005 - 2006
2007 - 2008 | 2009 - 2010
2011 - 2013 |

País & Mundo |
Cotidiano | Opine! |
Dicas & Eventos |

ENFOQUES DIDÁTICOS

A Astrologia e a Psicologia de Jung

Angela Schnoor

De todos os enfoques psicológicos, o de Jung é aquele que se tem revelado mais abrangente e mais próximo do modelo astrológico total. É o que defendeu Angela Schnoor em palestra durante o Encontro Aberto de Astrologia realizado no auditório do IBAM, Rio de Janeiro, em 23 de março de 1997, agora transcrita para Constelar.

Interação da astrologia com correntes terapêuticas e psicológicas

Em meu ponto de vista, a astrologia é um modelo da psique, e a psicologia mais antiga, que antecedeu às psicologias. As diversas teorias e métodos psicológicos se encaixam em partes deste "modelo primeiro" e mais completo, cada uma delas enfocando uma parte da mandala astrológica, dando ênfase em um ou outro eixo zodiacal.

A palestrante Angela Schnoor e o psicólogo suíço Carl Gustav Jung.

A Psicologia Analítica de Jung tem-se mostrado a mais abrangente até então e a mais próxima do modelo astrológico total. Destaco como principais pontos de contato:

  • luz e sombra = signos em suas polaridades
  • anima e animus = luminares
  • a tipologia de Jung = quatro elementos
  • o enfoque pela simbologia e mitologia
  • o conceito de individuação e a integração pela mandala
  • A própria abordagem de Jung no processo terapêutico, onde considera todos os demais métodos, teorias e propostas de acordo com o paciente e seu momento:

Muitas vezes me perguntaram qual era meu método psicoterapêutico ou analítico; não posso oferecer uma resposta unívoca. Cada caso exige uma terapia diferente. Quando um médico me diz que "obedece" estritamente a este ou àquele "método", duvido de seus resultados terapêuticos. Trato cada doente tão individualmente quanto possível, pois a solução do problema é sempre pessoal... Uma verdade psicológica só é válida se puder ser invertida. Uma solução falsa para mim pode ser justamente a verdadeira para outra pessoa... Devem-se utilizar com muita prudência as hipóteses teóricas. Talvez elas sejam válidas hoje e amanhã surgirão outras... A meus olhos, diante do paciente só existe a compreensão individual. Cada doente exige o emprego de uma linguagem diversa. Assim, numa análise, posso falar uma linguagem adleriana, em outra, uma linguagem freudiana (terminologia de A. Adler e de Freud).

(Memórias, Sonhos, Reflexões. Ed. Nova Fronteira, 7ª edição, p. 120 e 121)

Jung não pôde compreender e utilizar melhor a astrologia porque ela só pode ser vista mais adeqadamente do ponto de vista psicológico através de suas próprias teorias. Ele deu nomes psicológicos aos conteúdos astrológicos.

Considero que a astrologia pode e deve servir de embasamento para toda e qualquer disciplina ou conhecimento, e privilegiados aqueles que a conhecem. Como Sabedoria de Vida, facilita o melhor entendimento de qualquer processo e amplia o entendimento de outras "línguas".

Lembro-me que em abril de 94 assistia ao vídeo "Splendor Solis" onde uma série de gravuras alquímicas era interpretada por eminente analista junguiano, que, com a simplicidade dos velhos sábios, confessava em determinado momento não ter resposta para um certo simbolismo que aparecia nas gravuras. Para mim, à luz do saber astrológico as respostas eram claras e a relação que pude fazer tentei, em vão, passar para o responsável pelo evento, outro eminente analista junguiano, não tão aberto quanto Jung, nem tão sábio quanto o outro.

Conteúdos da psicologia na análise da personalidade através do mapa

Como o mapa astral retrata todo o potencial do indivíduo, assim como as possibilidades de seu desenvolvimento, basta que se usem enfoque e linguagem psicológicos para que se tenha o melhor diagnóstico e prognóstico possível, orientação segura para prevenção e tipo de terapia mais eficaz para aquele indivíduo.

Acima de tudo, pelo autoconhecimento proporcionado pela leitura e acompanhamento do próprio mapa, o terapeuta assim como o astrólogo pode reconhecer e reduzir suas projeções sobre o cliente

Para citar apenas um exemplo: os momentos de abertura para o inconsciente poderão ser melhor aproveitados em trânsitos dos planetas trans-saturninos, assim como as progressões da Lua sobre eles no mapa natal.

Plutão em Sagitário: novas escolas e métodos terapêuticos

Penso que, além das doenças decorrentes da vida sedentária, as desordens emocionais serão as grandes doenças do futuro. A falta de espaço e a exacerbação do mental deverão trazer uma busca maior de conscientização e a necessidade de individualidade devido à massificação. O médico ou o terapeuta perderão o poder sobre o paciente. Restará a parceria, o curar juntos e os trabalhos em grupo.

Vejo que hoje as terapias alternativas proliferam, mas, em sua maioria, continuam a funcionar sob o mesmo prisma curativo e não preventivo e nos mesmos moldes fracionários do ser humano, enquanto o apelo ao "Espiritual" atua, equivocadamente, como negação do racional e/ou corporal.

Alguma coisa deve surgir com uma visão unificadora e capaz de retomar um sentido para a existência. Para Jung, a religião era uma função psíquica (Self = Deus). A experiência de encontro com o Self é vivida como uma experiência religiosa, pois compreende:

  • Uma busca de sentido para a vida;
  • A atitude durante o processo pressupõe entrega, perda do controle do ego e necessidade de re-ligar-se;
  • Temas religiosos são expressos no processo;
  • Vem acompanhada de efeitos de Paz, Salvação e a sensação de se ter recebido uma "Graça", semelhantes às vivências tidas por religiosos;
  • Experiências da fusão de opostos, de totalidade, semelhante à fusão com o Divino.

Do meu ponto de vista, o método terapêutico do futuro compreenderá uma volta à religião, à busca de deus, do sagrado, dos rituais como forma de atingir a totalidade. Assim como deus, a arte será um meio de se alcançar harmonia e plenitude.

Plutão não só irá representar esta mudança nas religiões - principalmente nas Igrejas e, em especial, na Católica, com seus dogmas e carência de Sentido - mas a recuperação dos rituais primitivos onde o instinto do homem será resgatado sem tabus. E me pergunto também se, entre tantos sonhos premonitórios, Jung não terá previsto a queda da Igreja quando visualizou a figura de Deus evacuando sobre uma catedral.

Outros textos de Angela Schnoor.



Atalhos de Constelar 95 - Maio/2006 | Voltar à capa desta edição |

Alexey Dodsworth - A estranha Astrologia do Bom Comportamento | Levando burros nas costas |
Fernando Fernandes - Astrologia e Política | Bolívia, da humilhação à esperança | Evo Morales, um índio cheio de gás |
Angela Scnhoor - Enfoques didáticos | A Astrologia e a Psicologia de Jung |
Fernando Fernandes - Astrologia e cultura de massa | Belíssima e a rebelião do PCC |
Fernando Fernandes - Astrologia e Literatura | Código Da Vinci, um best-seller de Plutão |

Edição anterior:

Valeria Bustamante - Vênus brasileira, uma dama à beira do abismo | A dama servidora e a dama generosa |Netuno em Aquário revela Vênus |
Fernando Fernandes - Rio de Janeiro, o céu em convulsão | O retorno solar de 2005 |
Antonio Carlos Harres - Astrologia Mundial - Coluna do Bola | É possível driblar Saturno? |
Hanna Opitz - Política brasileira e previsões | Quíron para curar o Brasil |


Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site!
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos.
Reprodução proibida sem autorização dos autores.
Constelar Home Mapas do Brasil Tambores de América Escola Astroletiva