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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 175 :: Janeiro/2013

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PENSAMENTO HOLÍSTICO

Assim na Terra como no Céu

Benedito José Paccanaro

O microcosmo e o macrocosmo estão em ressonância e tudo é interdependente. Este princípio está presente tanto na Astrologia quanto na Física contemporânea, além de permear as mais diversas correntes filosóficas e religiosas.

Assim na Terra como no Céu

O que é verdade para uma gota é verdade para o oceano.
(Dion Fortune)

O QUE É A UNIDADE

A ciência, em particular a física, influencia o que entendo por unidade. No seu aspecto mais básico, essa conectividade – que a tudo e todos liga – vem da unidade que vemos nas leis da natureza. (...)

Vemos estrelas a bilhões de anos-luz de distância, estudamos os seus espectros e concluímos que esses objetos, tão longínquos, muitos deles já nem mais existentes, contêm hidrogênio, hélio e muitos dos mesmos elementos químicos que encontramos na Terra e em nossos corpos.

Vemos, também, que essas estrelas produzem seu brilho da mesma forma que o Sol, transformando hidrogênio em hélio em seu centro, através da fusão nuclear. Somos todos feitos da mesma matéria: pessoas, plantas, rochas, estrelas. As leis da natureza conectam o Universo, trazendo-o até nós. Mas que leis são essas? De onde vêm? Aqui, a ciência tem pouco a dizer. As leis da natureza são, em realidade, nossa interpretação do que vemos na natureza, conseqüência do que medimos do mundo. Elas expressam padrões de comportamento que identificamos através do espaço e do tempo, padrões que podemos quantificar e comparar com medidas e observações.
Como criadores dessas leis, nossa conexão com o Cosmos vai além da nossa composição material em comum: ela existe, também, por meio das nossas mentes, ao mapearmos na consciência aquilo que, sem nós, passaria despercebido.

(Texto de Marcelo Gleiser, professor de física teórica, publicado no jornal Folha de S. Paulo, caderno Ciência, de 11 de setembro de 2011).

Homo quodammodo omnia
(“o homem é de certo modo tudo” – São Gregório)

Os antigos acreditavam que os corpos celestes eram espíritos (ou ao menos semi-espíritos) e a lei das correspondências era invocada para explicar as influências astrológicas. Essa noção é igualada à idéia moderna de sincronicidade.

Os maias utilizavam o calendário sagrado Tzolkin que é a chave para os ciclos humanos, terrestres e celestes refletindo o microcosmo e o macrocosmo. O homem é um universo completo que traz em si a ordem sem vida dos minerais; a ordem viva das plantas e dos animais e a ordem espiritual dos anjos e Deus.
A idéia de macro/microscosmo possivelmente tem a sua origem nos mitos primordiais segundo os quais tudo foi formado de um único ser.

O significado de Pitágoras para astrologia é que ele formulou a noção de que o ser humano é uma versão em miniatura (microcosmo) do universo maior (macrocosmo). O micro e o macrocosmo estão ligados por certas correlações - para a astrologia esta noção é básica.

Os mesmos princípios de organização governam tanto o macrocosmo como o microcosmo. As sábias tradições ensinam que tudo está dentro de nós, que o Universo e o ser refletem um ao outro. Dessa forma, o interior e o exterior, acima e abaixo convergem dentro de nós. O centro do Universo se acha em toda parte – inclusive dentro de você.

Textos hebraicos, gregos e bíblicos relatam que os seres humanos foram feitos ‘à imagem e semelhança’ do Divino e que o corpo é o templo do Espírito. Rituais marcavam o movimento dos astros e as estações do ano determinando e celebrando a colheita e os ciclos de fertilidade.

Cada signo zodiacal representa o interior e o exterior do corpo humano e as suas funções – Áries rege a cabeça, o cérebro e os demais signos as outras partes do corpo.

Tudo é interdependente e participa da integridade do TODO. A força, a inteligência ou processo que produziu o Universo age em nós – somos o Cosmos em nível microcósmico. Teillard de Chardin em seu estudo O fenômeno humano se expressa da seguinte forma:

Cada elemento do cosmo é positivamente tecido de todos os outros (...).
Em toda a nossa volta até onde a vista alcança, o mundo permanece uno, e só é realmente possível um modo de considerá-lo,
 a saber, encarando-o como um todo, numa só peça.

O UNIVERSO E A GOTA D’ÁGUA

Meu pai costumava dizer que existe um universo em uma gota d’água. “O macro cabe no micro” era uma de suas frases prediletas. Na época, não dava muita bola para o que ele dizia. Hoje, já penso diferente e sei que não só o macro cabe no micro como o Universo é uma gota. Talvez uma gota em um infinito oceano de universos.

A partir dos anos 1970, duas áreas da física aparentemente muito diferentes começaram a se aproximar. (...) A cosmologia, que estuda o Universo como um todo, sua origem e evolução, a área mais “macro” de ciência, e a física das partículas elementares, que estuda as propriedades das menores entidades que existem, ou seja, a área mais “micro” da ciência. Tudo o que sabemos sobre a natureza fica entre esses dois extremos. O que não sabemos também.

De onde veio essa união? Em 1965, o modelo do Big Bang foi confirmado por meio de observações realizadas por dois astrofísicos dos laboratórios Bell que testavam transmissões de microondas para comunicações via satélite. Eles descobriram um ruído em sua antena que vinha de todas as direções do céu. (...)
Hoje, a idade do Universo é de cerca de 14 bilhões de anos. A conseqüência é imediata: se o Universo tem essa radiação toda e ela agora é muito fria (-270ºC), no passado, quando o Universo era mais jovem, ela era bem mais quente (...).

(Texto de Marcelo Gleiser, professor de física teórica, publicado na Folha de São Paulo, coluna Micro/Macro).

O jesuíta João Batista Libânio no livro Ser cristão em tempos de Nova Era assim escreveu:

“O cosmo nos pertence. Nós pertencemos ao cosmo. Os elementos, que correm nas nossas veias, residem lá nos astros. Movo um dedo na terra, algo acontece na lua. Há uma circularidade, um envolvimento global, de modo que o todo está nas partes, e a parte no todo. Cada coisa existe no todo, e o todo em cada coisa. Nada existe independentemente”.

O holograma

Se atravessar um feixe de raios laser através de um holograma de uma garrafa de Coca-Cola, por exemplo, a garrafa inteira é projetada no espaço à frente em três dimensões; se for cortado o holograma ao meio e projetar qualquer das metades novamente se terá a garrafa inteira. E se cortar agora uma das metades e utilizar um quarto do holograma para a projeção, uma vez mais a garrafa será vista na totalidade. E assim por diante...

Trata-se de uma clara indicação de que no holograma tudo está em toda parte do próprio todo.

Rosa-Cruz

Rosacruz

O símbolo da “Rosa-Cruz” alquímica e hermética compõe-se de duas Cruzes Rosa-Cruz unidas em uma: a pequena cruz central, que representa o Homem, o microcosmo é o ponto central de uma rosa maior que se encontra no coração da grande cruz, que simboliza o macrocosmo.

Nas quatro extremidades da cruz maior estão inscritos os três símbolos alquímicos: mercúrio, sal e enxofre. Na parte superior da cruz, o mercúrio é colocado no centro, o enxofre, à esquerda, e o sal, à direita. Nas outras extremidades, os símbolos foram escritos em determinada ordem para obedecer à tradição esotérica.

Em cada braço adjacente aos símbolos alquímicos encontra-se o símbolo do Pentagrama. No braço inferior da figura, abaixo da rosa grande, vê-se um Hexagrama, símbolo do Macrocosmo, composto de dois triângulos entrelaçados.
Em suas pontas, estão inscritos os seis planetas, de acordo com a tradição astrológica antiga; na parte inferior está a Lua e à direita, Vênus, seguida em ordem por Júpiter, Saturno, Marte e Mercúrio; no centro do Hexagrama, está o Sol.

O círculo exterior que circunda a rosa central, de 12 pétalas, representa os 12 signos zodiacais.

O círculo seguinte, de 7 pétalas, representa os sete planetas astrológicos.
No centro da grande rosa, está a Rosa-Cruz microcósmica, cubo desdobrado com uma rosa de cinco pétalas em seu centro.

Pode-se dizer que a cruz representa o corpo humano, com os braços distendidos, em saudação ao Sol no leste, com este último reprsentando a Luz Maior. A rosa, colocada no centro da cruz, onde as linhas se entrecruzam, indica o ponto de unidade.

E a matéria toda que existe? Quanto mais quente o Universo, mais difícil é para a matéria se manter coesa. Como exemplo, voltamos à gota do meu pai. Muito frio, ela congela. Muito quente, ela evapora. E se o calor aumenta? As ligações entre o átomo de oxigênio e os dois de hidrogênio se rompem e temos átomos livres. (...) No Universo, isso ocorreu aos 400 mil anos. Antes disso, o calor era ainda maior. Com um segundo de vida, o Universo era tão quente que os prótons e neutros nos núcleos atômicos se separaram. A um centésimo de milésimo de segundo, prótons e nêutrons não existiam: eles se dissociam em quarks, as partículas das quais são feitos. A gota de meu pai virou uma sopa de quarks e elétrons, as partículas elementares da matéria. O macro virou micro.

Ainda nem chegamos ao tempo zero e o Universo virou uma sopa de partículas e radiação e continua encolhendo. Quando chegamos a uma fração ridiculamente pequena de um segundo, o Universo inteiro é do tamanho de uma gota d’água. E a temperatura é tão alta que nem sabemos que tipos de partículas existiam. Estamos no limite: macro e micro entrelaçados. E agora? Da física de partículas, uma inspiração: talvez nosso Universo seja mesmo uma gota, flutuando em um metaoceano, o multiverso feito e todos os universos. Meu pai adoraria saber disso, “Tá vendo filho? O próprio macrocosmo não passa de um microcosmo.”

(Texto de Marcelo Gleiser, professor de física teórica, publicado na Folha de São Paulo, coluna Micro/Macro).

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