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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 159 :: Setembro/2011 :: -

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ERA DE AQUÁRIO

De Nostradamus às guerras de Bush e Obama

Adonis Saliba

O eclipse de 1999 foi um marco para os astrólogos e gerou, na época, múltiplas tentativas de interpretação. Ao rever essas previsões, entendemos hoje que não se referiam a um acontecimento único, mas a um longo processo cujo fato mais importante é a decadência do império americano, nos governos de George W. Bush e Barack Obama.

Este artigo é a transcrição da segunda parte da palestra de Adonis Saliba apresentada em 21 de novembro de 1998 no XI Congresso de Astrologia da SARJ (Teatro do Leblon, Rio de Janeiro). Manteve-se o tom coloquial e bem humorado da fala original. Como a palestra foi originalmente voltada para um público de astrólogos profissionais, acrescentaram-se notas explicativas para a melhor compreensão de alguns conceitos.

E a Era de Aquário?

A era de Peixes nem terminou e já estamos querendo sentir Aquário. Todos nós sabemos que estas eras têm uma lógica formada a partir do movimento do eixo de precessão de equinócios apontando para o manto de estrelas no céu [8]. Eixo de precessão tem a ver com o sistema Terra-Sol. Nada a ver com a Lua ou com outros planetas, e sim com a Terra, que, por um defeito de fábrica, bamboleia em torno do eixo de rotação, o que faz com que o eixo Áries-Libra saia marcando sua posição no cosmos em um ciclo de cerca de 26.000 anos. Hoje ele aponta para umas estrelinhas, próximas, aliás, de Ômega Piscium. A era de Peixes, a era do Cristo, começou quando o eixo apontava para um ponto próximo de Alfa Piscium. Alfa e ômega... isto lembra alguma coisa muito séria na mensagem cristã. Se existem coincidências, aí está uma. Realmente, na passagem de 2000 não há nenhuma ocorrência mais precisa do que esta, que está na escala de precisão de décadas e séculos. Astronomicamente, a era de Peixes não está no final, que só vai chegar daqui a alguns séculos, talvez entre 2300 e 2400 em função do que o homem vê como Peixes nos céus. E isto é também variável na história do homem [1].

Vamos aos medos

O prof. Raul Varella Martinez fez através de listas de discussão na Internet [2] uma análise muito interessante de Nostradamus sobre o lado fatalístico deste final de milênio.

NostradamusEntre todas as Centúrias de Nostradamus, apenas a Quadra 72 da décima apresenta claramente uma data ou período: sétimo mês de 1999, quando viria do céu, ou do ar, alguma coisa muito importante, ressuscitando o grande rei de Angolmois. Por ser uma profecia datada, e por referir-se aparentemente ao fim de um milênio, torna-se particularmente importante e lembrada, quase sempre de forma catastrófica.

X-72
L'an mil neuf cens nonante neuf sept mois
Du ciel viendra un grand Roi d'effrayeur
Resusciter le grand Roy d'Angolmois
Auant aprés que Mars regner pour bonheur [3].

Essa quadra tem sido associada à destruição que viria pelo ar, como um ataque ou contaminação nuclear, ou ao agravamento da situação gerada pelo crescimento do buraco da camada de ozônio que envolve a Terra, para lembrar apenas duas das múltiplas possibilidades de grandes destruições. Erika Cheetham, assim como outros comentaristas de Nostradamus, traduz "effrayeur" como sendo "terror" ou "espanto", e diz, em nota à parte, que Angolmois não se refere a Angoumois, localidade na França Ocidental, mas que é um anagrama, em francês arcaico, de Mongolois, mongóis ou asiáticos. Hoje, conhecendo a situação no Oriente Médio, observa-se que a palavra Angolmois permite novo tipo de associação, quando é dividida em duas partes: "angol" e "mois". A primeira é um anagrama de Golan, ou Golã, e a segunda é o inverso de Siom ou Sion, lembrando que Sion é o nome judaico de Jerusalém e que Golã é o nome das colinas que Israel tomou da Síria. Ou seja, com Roi d'Angolmois, Nostradamus pode estar-se referindo a essa região que divide a Síria de Israel, ou árabes de judeus. Na pior hipótese, Angolmois poderia significar mês de Algol (mês em que muitas pessoas perderiam a cabeça – no sentido próprio ou figurado) [4]. De acordo com a última estrofe, a volta do grande rei ocorreria "antes de Marte reinar por felicidade, ou com felicidade", ou seja, depois disso haveria um período sem belicosidade. Quanto ao sétimo mês, pode-se entender como sendo julho, em termos atuais, ou outubro, em termos antigos, quando o ano tinha início com a entrada do Sol em Áries, em março. Mas nesse intervalo ocorre o comentado eclipse total do Sol, em 11 de agosto de 1999, com sua linha central iniciando na Índia, cortando o Oriente Médio e a Europa Central e terminando na costa norte-americana, entre os USA e o Canadá.

Linha Central do Eclipse de 1999

Linha central do eclipse de 11 de agosto de 1999. De forma antecipatória, essa linha liga o centro de poder dos Estados Unidos (região da costa leste) às duas áreas de guerras em que os Estados Unidos se envolveram a partir de 2001: Afeganistão e Iraque.

É uma análise seca do prof. Raul, mas que nos dá muito medo em relação ao que pode ocorrer em 1999. Seria tão catastrófico assim?

Suponhamos que cheguemos a salvo ao ano 2000, ou melhor, adentremos realmente a era de Aquário, e, considerando tudo que dissemos de Aquário, podemos ver que há muitos desafios no novo milênio. Entre mitos e realidades, tudo parece começar a ficar mais factível, mas há problemas sociais incríveis que podem surgir na nova era.

O homem se tornará realmente vegetariano? O mundo será realmente uma comunidade única globalizada, que se respeita em todas as direções, em atos democráticos e de igualdade? Por enquanto, isto é realmente a lorota do momento. O mundo capitalista mostrou (enquanto o comunista não mostrou nada) que é no máximo capaz de levar parcelas da humanidade a se sentirem bem, mas à custa do trabalho escravo das parcelas restantes. Será que o modelo da Índia, com seus estados nirvânicos, seria a solução? Infelizmente, surge no mundo uma sociedade aquariana que corrói pelas entranhas o estado social novo. Já disse isto há alguns anos: olhem para as sociedades anárquicas que os meninos de rua fazem. Eles são o símbolo pleno da liberdade de agir e de pensar. Fazem o que querem e dormem onde querem, deslocam-se como animais e em função das presas. Todo este quadro aquariano representa uma ameaça à nossa sociedade pisciana. As tentativas de integração são complexas, tirá-los do mundo de Aquário e jogá-los na sociedade estruturada, só para nos contentarmos em nosso mundo pisciano, não é possível. Aprisionamentos de Febens [5] são tão ineficazes quanto deixá-los na rua.

No Brasil são meninos de rua, nos países civilizados são tribos neonazistas, skinheads, e na Internet formam uma sociedade totalmente anárquica – os hackers. Há solução? Acho que não, pois eles representam a sintonia de uma sociedade em formação dentro de uma nova era. A observação da atitude deles é que pode nos dar uma solução de vida potencial para o nosso futuro. Eles aparecem naturalmente e reproduzem-se descomensuradamente no seio de nossa sociedade. Tudo em sintonia com a nova era. Não há passagem ou alteração de um corpo doente para um corpo são que não seja pela renovação das próprias potencialidades internas deste corpo. E isto é feito conhecendo-se o corpo e respeitando a natureza.

Eclipse 1999 para Washington

O eclipse de 11 de agosto de 1999, neste mapa calculado para Washington, D.C., colocou em evidência o eixo Leão-Aquário.

O padrão de Leão é algo que também preocupa na era de Aquário, pois é o lado negro, a face oculta e oposta desta era. Leão, segundo um ponto de vista negativo, representa todo um lado de poder absolutista e de fachada reluzente aliado a um séquito nefasto, conforme se pode ver em cortes como as dos últimos Luíses de França. Com a Revolução Francesa, profundamente anárquica e aquariana em sua natureza, rolaram as cabeças dos leões em uma guerra de Aquário versus Leão. É o padrão já visto no passado, na ascensão e queda do Império Romano, e na sua versão moderna, dentro da Alemanha de Hitler. E poderá repetir-se, caso os EUA continuem insistindo em seu papel leonino de polícia do mundo [6]. Quedas de impérios são sempre pré-regidas por um primeiro caos uraniano e que pertence ao padrão de Aquário. Aquário derrota, mas apenas para renovar o poder. Aquário não gosta de governar. Novos Leões têm sempre que surgir.

Os Desafios da Nova Era

Mas chega de desgraças no mundo, chega de situações que já conhecemos e cujo paradigma precisa ser vencido e alterado. Precisamos conseguir encontrar os limites e fazer deles um desafio a ser vencido. Vejamos o que precisamos fazer como seres humanos para poder planejar a estratégia de sobrevivência da espécie e do planeta, pois estamos buscado a esperança de um mundo melhor.

Onde estaria a esperança que Pandora conseguiu manter em sua caixinha de mudanças de eras?

Alguns dizem que a ciência caminhará por áreas totalmente novas, onde os foguetes e sistemas atuais de transporte parecerão rudimentares carroças do passado. Seriam teletransportes factíveis? Contatos interplanetários rotineiros? Viagem no tempo parece fantasia demais para minha cabeça. Na verdade, aqui está um paradigma para ser quebrado, o homem tem outras dimensões interiores que a lógica de hoje não permite aceitar. A admissão pela ciência de outros corpos humanos, que não o físico, permitirá avanços ilimitados. A quebra dos dogmas científicos de que nada existe além da transcendência da morte é algo que abriria uma nova frente de pesquisa. Aí, realmente, está para mim o grande desafio da nova era [7].

Podemos sentir que o homem nunca esteve num auge de compreensão do universo e das coisas como agora. Pode-se dizer que nossa escala de compreensão da natureza flui entre extremos tão intensos quanto os que existem entre os angstrons do microcosmo e os bilhões de anos-luz do macrouniverso. Temos domínio das naves Voyager lançadas nos anos 80 e que ainda enviam os seus parcos sinais dos confins do sistema solar. Já conseguimos imagens incríveis de nosso universo e sabemos, como nunca, a astrofísica das supernovas e dos buracos negros. Temos consciência de que o universo teve um início em um dia de Big Bang e terá também o seu fim em um ciclo de bilhões de anos-luz. Já estamos querendo povoar Marte antes de 2100 e explorar as potencialidades energéticas de nosso sistema solar. Dentro de nossos limites temporais de vidas, conseguimos esticá-las a um máximo antes ainda não visto ou, pelo menos, não conhecido, desde a época mítica de Matusalém. A medicina, apesar dos revezes das máfias brancas, faz incursões maravilhosas na descoberta de novas fronteiras antes pertencentes somente à esfera dos milagres. Hoje em dia, nem mesmo sentimos mais os limites das nossas limitações visuais; vamos à praia e, se quisermos, nem nos queimamos sob o sol; navegamos pelos www's da vida e nem nos damos conta do mundo mágico das comunicações.

Vamos chegar algum dia a homens eletrônicos, espero que não sejamos bestas semivivas. Mas certamente chegaremos ao hiperchip, com implantes em cérebros, onde teremos informações ligadas diretamente aos neurônios, e isto tem grande probabilidade de acontecer no século XXI. Que tal ter um total controle de nosso corpo (espero que não do espírito e do nosso pensamento), que poderá regular e monitorar qualquer disfunção orgânica e passar informações cruciais? Que tal um hiperchip que poderá fazer-nos entender qualquer língua que o interlocutor nos fale e nos faça uma tradução simultânea diretamente vinculada aos nossos sentidos de compreensão, semelhante a estarmos vendo um filme com legenda? Só que esta "legenda" não terá palavras, mas agirá diretamente pela ativação dos nossos órgão de compreensão. Ao mesmo tempo, este hiperchip nos controla a dosagem de colesterol, açúcares, proteínas no sangue, não nos permitindo loucuras alimentares além de alguns limites, além, de ativar naturalmente a produção das enzimas e anticorpos de que estivermos necessitando no momento. Imagine você com saúde nos 365 dias do ano, querendo estar mais magro para ir a praia no verão e ao mesmo tempo podendo ter a alimentação que mais deseja, e tudo totalmente regulado internamente por um acessório altamente competente. Claro, perfeito demais. A televisão também foi perfeita demais para os nossos antepassados, mas hoje nem damos conta de um mundo sem ela.

Mas seria muito tedioso o nosso dia com o hiperchip? Naturalmente, os seres humanos teriam que ser muito mais honestos, pois todos os padrões de neurolingüística seriam utilizados – e os nossos interlocutores não poderiam mentir!

Sem mentira acabaríamos com a hipocrisia humana e o homem começaria a não perder mais tempo com gastos excessivos e poderia distribuir melhor a renda. Todos atingiriam patamares de competência plena, fazendo exatamente o que gostam e no tempo correto. Os padrões de beleza seriam modificados para cada um em cada época. O admirável mundo novo. Realmente, só uma coisa não poderia ser mudada: a mente humana. Seríamos ainda seres pensantes autônomos. Se o nosso lado bom e moral persistir, aí teremos uma sociedade maravilhosa. Chegamos à democracia utópica! Caso seja o oposto, creio que a raça humana se extinguiria. Mas o que realmente desejamos hoje? Será que gostaríamos de estar nesta era de Aquário? Preciso acordar... ainda estou em novembro de 1998...

Notas do Editor

[1] O agrupamento de estrelas em constelações é uma convenção. Na verdade, estrelas da mesma constelação podem não ter qualquer relação entre si e estar afastadas milhares de anos-luz umas das outras. A forma como o homem "mapeia" os céus e identifica os limites das constelações também pode variar de uma para outra época. A estrela modernamente conhecida como Alpha Piscium (na verdade, uma estrela dupla) era chamada pelos árabes de Alrisha, nome que parece referir-se à "corda" que une os dois peixes representados na constelação.

[2] Refere-se ao Prof. Raul Varella Martinez, falecido em 2010, pesquisador paulista e autor de diversos artigos já publicados em Constelar. O estudo sobre Nostradamus citado por Adonis Saliba foi divulgado em 1998, em diversas listas eletrônicas de discussão astrológica.

[3] A tradução literal da quadra está no artigo de Paula Falcão, neste número. Traduzir as Centúrias é sempre um empreendimento arriscado: Nostradamus utilizou francês arcaico entremeado com termos do latim vulgar, além de anagramas e palavras aliteradas. A pontuação é ambígua e a sintaxe presta-se a várias interpretações.

Algol, estrela dupla[4] Segundo Vivian Robson, astrólogo que desenvolveu extenso trabalho sobre o significado de estrelas fixas, Algol tem a natureza de Saturno-Júpiter e, no Ascendente ou em aspecto com planetas pessoais, pode indicar infortúnio, violência, decapitação ou enforcamento, eletrocução, revoltas populares e natureza violenta que causa a própria morte ou a de outros. Na verdade, Algol faz parte de um sistema duplo (foto) de estrelas que apresenta como característica um ciclo de alternância de 69 horas de brilho e de 9 horas de ocultamento da visão da Terra.

Algol tem a natureza sombria de Saturno, mas também pode ser associada a Marte-Urano-Plutão. Dizia-se que, nos momentos de menor brilho, sua invisível ação destrutiva era exercida. Na Idade Média, Algol gozava da fama de estrela extremamente maléfica. Os chefes militares árabes, em tempos de guerra, acompanhavam atentamente as variações de seu brilho e afirmavam que batalhas de menor importância eram iniciadas quando Algol estava fraca.

[5] Febem - A famigerada Fundação do Bem-Estar do Menor, acusada de acelerar o processo de marginalização dos menores carentes que recolhia.

[6] Três anos após esta palestra, os Estados Unidos, já sob o governo de George Bush, iniciam um novo ciclo de guerras com as intervenções no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003), ambas ainda não encerradas. Passados dez anos, os pesados gastos militares vêm contribuindo para a decadência do Império Americano. Os Estados Unidos chegam à segunda década do século XXI envolvidos numa séria recessão e com perda de garantias sociais da parcela mais pobre da população.

[7] A homeopatia e a acupuntura, que são reconhecidas como especialidades médicas, já admitem a existência de corpos ou energias sutis – a energia vital, da homeopatia e o chi, dos chineses. As experiências com a foto kirlian, desenvolvidas por cientistas russos, também confirmaram a existência de halos ou de moldes energéticos em seres vivos. A questão da mudança do paradigma na medicina foi tratada no artigo A saúde está no mapa?, publicada em Constelar em novembro de 2000.

Leia também: Aquário e a caixa de Pandora

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