Constelar Home
menu
Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 152 :: Fevereiro/2011 :: -

Busca temática:

Índices por autor:

| A - B | C - D | E - F |
| G - L
| M - Q | R - Z |

Explore por edição:

1998 - 2000 | 2001 - 2002
2003 - 2004 | 2005 - 2006
2007 - 2008 | 2009 - 2010
2011 - 2013 |

País & Mundo |
Cotidiano | Opine! |
Dicas & Eventos |

ASTROLOGIA E CINEMA

Biutiful, a beleza torta de Saturno

Alexey Dodsworth

BiutifulBiutiful é o mais latino dos candidatos a melhor filme estrangeiro no Oscar 2011. Dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu e estrelado pelo espanhol Javier Bardem, fala da beleza que teima em brotar da mais extrema miséria e mais cruel desesperança.

Biutiful é, essencialmente, um filme sobre Saturno, um filme sobre o tempo. O tempo que passa, o tempo de que não dispomos, a agonia da consciência da morte e da própria mortalidade. Evoca também as dimensões plutonianas da existência, ao insistir no tema da morte e do poder paralelo do submundo. Entretanto, vale aqui lembrar que a morte e o morrer sempre estiveram relacionados pela Astrologia com o planeta Saturno. Com a descoberta de Plutão, transferimos muitos dos significados de Saturno para o novo planeta, e terminamos por reduzir nossa compreensão da simbologia saturnina.

Saturno, em diversos sentidos, é mais “morte” do que o próprio Plutão. Enquanto este último representa as transformações profundas e inescapáveis, Saturno se revela na fatalidade da decrepitude. Fato: tudo envelhece, adoece e, mesmo assim, há uma profunda beleza na vida. Beleza pungente que não se revela a olhares domesticados e viciados em filmes açucarados.

Em Biutiful, Bardem (numa de suas melhores atuações, concorrendo a um merecido Oscar) é Uxbal, um pai de família com poderes mediúnicos que, para sustentar os filhos, vai contra as próprias regras espirituais e comercializa o uso de seus talentos psíquicos. Vai também contra as regras do mundo dos homens, e coordena uma rede de venda de produtos falsificados e de exploração de imigrantes ilegais asiáticos e africanos. Uxbal é “todo errado”, mas não dá para julgá-lo, sobretudo ao constatarmos que ele faz o que faz por amor aos filhos.

As coisas só pioram: Uxbal descobre que tem câncer de próstata e pouco tempo de vida. Confronta-se, assim, com a inexorabilidade de sua própria limitação, com as imposições inegociáveis de Saturno e Plutão. Quando você pensa que as coisas já ficaram péssimas e não há mais para onde afundar, Iñarritu (o diretor) mostra que é possível, sim, que tudo fique muito pior. E é aí que o espectador pode se questionar: onde há a beleza anunciada no título do filme? Seria uma ironia do diretor?

iñárritu

Alejandro González Iñárritu [foto] é um premiado cineasta nascido na Cidade do México em 15 de agosto de 1963. Seu mapa apresenta Saturno em Aquário oposto à conjunção Sol-Vênus em Leão. A oposição Saturno-Vênus é o aspecto mais exato da carta.

O ator Javier Bardem nasceu em Las Palmas, Ilhas Canárias, em 1º de março de 1969 (Sol em Peixes). Em ressonância com o mapa de Iñárritu e com a simbologia do filme, seu Saturno está em conjunção com Vênus, com órbita inferior a um grau. (Nota do Editor)

Poucas vezes o nome de um filme sintetizou tão bem o espírito de sua história, como no caso de Biutiful. Somos, de certa maneira, como a criança do filme que, ao fazer um exercício de inglês, escreve o termo com pequenos erros. Assim como a filha de Uxbal, nós sabemos o que é a beleza, mas somos ainda muito imaturos para descrevê-la corretamente e, assim, cometemos erros. A beleza não deixa de ser o que é, e é possível compreendê-la mesmo quando torta se apresenta.

Há muita beleza no filme, numa intensidade tão ardente que chega a doer. Há beleza em constatar que, a despeito de toda a desgraça e miséria, a despeito de todo infortúnio e horror, o amor persiste. O amor de Uxbal por seus filhos e por sua mulher psicótica. O amor de todas aquelas pessoas entre si, mesmo num contexto de miséria extrema, como algo que torna minimamente possível suportar o insuportável. E Iñarritu demonstra a existência deste amor, valendo-se de sutilezas: aumenta o volume do som da pulsação cardíaca quando Uxbal e sua filha se abraçam, por exemplo. É nas sutilezas que a beleza se revela.

Assistir a Biutiful é se dispor a se deixar incomodar, angustiar. De fato, não é um filme comum, feito para agradar à maioria das pessoas. Seu objetivo não é transmitir leveza, nem muito menos entreter. Desta vez, Iñarritu não se dispôs ao entretenimento, e se fez canal de Saturno e de Plutão, ao esfregar na cara do espectador toda a podridão da miséria, da morte e do desespero, tudo isso que faz parte da vida. 

Vida que, como se canta por aí, "é bonita, é bonita e é bonita". Mesmo quando está toda torta e errada. Mesmo quando se escreve torta por linhas certas.

Outros artigos de Alexey Dodsworth.

Comente este artigo |Leia comentários de outros leitores



Atalhos de Constelar | Voltar à capa desta edição |

Fernando Fernandes - Em cima dos fatos | A tragédia da Região Serrana | Friburgo, cidade taurina |
Cristina Machado
- Astrologia Tradicional | Roteiro da Astrologia Clássica em Portugal |
Raul V. Martinez - Trânsitos de Vênus sobre o Sol | O fim da Civilização Asteca |
Fernando Fernandes - Perfil: Miranda Cosgrove | O fenômeno iCarly |

Edições anteriores

Fernando Fernandes - Brasil | O mapa da posse de Dilma Rousseff |
Carlos Hollanda
- Em cima dos fatos | O mapa de declaração de vitória de Dilma Rousseff |
Benedito José Paccanaro - Teoria astrológica | O simbolismo do signo de Peixes |
Darci Lopes - A plutocratia americana | O Ascendente Sagitário | Mais evidências para o Ascendente Sagitário |


Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site!
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos.
Reprodução proibida sem autorização dos autores.
Constelar Home Mapas do Brasil Tambores de América Escola Astroletiva