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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 148 :: Outubro/2010 :: -

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CICLOS PLANETÁRIOS

Salve-se quem puder:

Saturno-Plutão escada abaixo

Fernando Fernandes

World Trade CenterAspectos tensos Saturno-Plutão sempre trazem à tona o sentimento de ameaça, com causas reais ou imaginárias. É o momento em que as torres entram em evidência, e também a oportunidade de repensar os rumos da civilização.

Depois de um ano, a quadratura Saturno-Plutão começa lentamente a desfazer-se. Permanece, contudo, suficientemente viva para estimular a imaginação de ativistas políticos e artistas.

Saturno e Plutão em aspecto tenso indicam, no plano coletivo, os processos de rompimento de estruturas rígidas. Saturno rege o esqueleto, as torres, as muralhas e as hierarquias de poder. Plutão, por outro lado, é significador do submundo e das forças de aniquilação. Quando esses dois planetas se encontram, um terremoto varre a sociedade e aquilo que é desnecessariamente grande e inflexível tende a desmoronar.

Ao longo de 2010, vimos Saturno-Plutão em ação no terremoto do Haiti e nas casas soterradas no Morro do Bumba, em Niterói. Vimos também as pontes e construções levadas pelas águas da enchente no Paquistão e na proliferação de desabrigados em todo o mundo. Mas o aspecto também mexe com a imaginação. Exemplo disso é o tradicional evento Vivência da Primavera, um seminário de propostas alternativas realizado no Rio de Janeiro há vinte anos.

A programação, coordenada pela socióloga Bia Lima, e o cartaz do evento, criado pela designer Adriana Amorim, não deixam margem à dúvida: a quadratura do terror continua dando as cartas.

Vivência da Primavera 2010

A programação é ótima e vale uma conferida de perto (clique na imagem para ver o cartaz em tamanho grande). Mas o que interessa aqui são as correlações astrológicas que se insinuam no projeto.

Torre Fulminada, Arcano XVINo cartaz, o nome do evento - Rotas de Fuga do dia-a-dia - é complementado por figuras humanas esquemáticas que atravessam portais (Saturno) e descem escadas (Saturno de novo) em desabalada carreira. As escadas e os extintores sugerem que estamos num edifício de muitos pavimentos. Todos correm na mesma direção - para baixo - como se a altura representasse uma ameaça que é preciso trocar pela segurança do chão. O conjunto sugere de imediato uma conhecida carta do tarô, o arcano 16 - a Torre Fulminada. A diferença é que, na carta, forças acima do controle humano desalojam os desavisados ocupantes da construção, que são obrigados a deixar a segurança da muralha de pedra. Contudo, a imagem não chega a sugerir uma situação totalmente desesperadora, já que veem-se espalhados pelo chão pequenos tufos de vegetação, indicando a possibilidade de renovação da vida.

Homem caindo do World Trace CenterNem sempre, todavia, há esperança: na oposição Saturno-Plutão de 2001 o mundo inteiro se chocou com as imagens das torres gêmeas derrubadas e de pessoas despencando para a morte de uma altura de mais de cem andares.

Sob esta ótica, os homenzinhos sem rosto do cartaz da Vivência da Primavera têm um pouco mais de sorte: longe de serem atingidos pela fatalidade, ei-los que buscam, voluntariamente, o "caminho para baixo", que significa o retorno à natureza e a recusa da estrutura prestes a entrar em colapso. Sua correria não é, pois, decorrente de covardia ou pânico, mas uma atitude consciente de abandono de um edifício que nada mais tem a dar. As escadas, no caso, simbolizam a sociedade industrial contemporânea e toda sua complexidade, construída a partir de rompimento do pacto com a natureza e da apropriação predatória de recursos cada vez mais escassos.

As grandes estruturas - construções que se elevam verticalmente, desafiando a gravidade - são uma das marcas registradas da era industrial. Sempre ficam em destaque sob ativações Saturno-Plutao, seja como testemunho palpável do poder hegemônico, seja como símbolo de sua derrocada. O Empire State Building, em Nova York, foi inaugurado sob a oposição Saturno-Plutão de 1931; o reservatório da barragem de Itaipu começou a ser formado em 12 de outubro de 1982, sob uma conjunção Saturno-Plutão; foi o maior do mundo no seu gênero até a inauguração da represa das Três Gargantas, na China, sob a quadratura Saturno-Plutão de 2009-2010, que também viu surgir o Burj Khalifa, novo maior edifício do mundo, em Dubai.

Edifícios Saturno-Plutão

Paisagens relacionadas a Saturno-Plutão: o Empire State Building, o castelo de Hogwarts (Harry Potter) e a sombria Gotham City, onde vive Batman.

Torres e construções monumentais também povoam o imaginário das artes. A série Harry Potter, cheia de castelos extravagantes e sombrios, está visceralmente relacionada a aspectos Saturno-Plutão, presentes nos mapas da autora e do lançamento do filme. Batman e sua Gotham City, a mais dark das metrópoles dos quadrinhos, vêm à luz sob uma quadratura Saturno-Plutão, em 1939. Contudo, o mais sensacional exemplo de arte relacionada a este aspecto está na própria América do Sul. Mais precisamente em Buenos Aires, na obra de Benito Quinquela Martín, um dos maiores pintores do continente - e o de origem mais misteriosa.

No dia 20 de março de 1890 foi deixado na Casa de Expósitos (casa dos enjeitados) um bebê que aparentava ter três semanas de vida. Por esta razão, mais tarde atribuiu-se a ele a data de 1º de março como a do nascimento, mas não há nenhuma certeza sobre este fato. Foi batizado em 21 de março e recebeu o nome do santo do dia - São Benito Abade - e o sobrenome Martín. Quase oito anos depois, em 16 de novembro de 1897, foi adotado pelo casal Manuel Chinchella e Justina Molina, que viviam na Boca do Riachuelo, região onde se acumulava uma população pobre, formada majoritariamente por imigrantes genoveses. Do pai adotivo Benito receberia o sobrenome italiano, depois estropiado para Quinquela. E o bairro da Boca, uma das marcas registradas de Buenos Aires, seria sua residência e fonte de inspiração durante uma vida inteira.

Trabajando en un dia gris, Quinquela Martín

Trabajando en un dia gris, de Quinquela Martín

Depois de cursar alguns poucos anos de escola, Quinquela passou a trabalhar descarregando carvão no porto. Contudo, sua verdadeira vocação era a pintura, que começou a estudar aos 17 anos. Sua maior influência foi o escultor francês Rodin, que defendia que o artista deve pintar preferencialmente o próprio lugar onde vive. Quinquela pintou a Boca, em obras de enorme força pictórica onde a figura humana, sempre reduzida a um desenho esquemático e sem rosto, enfrenta o desafio de interagir com estruturas gigantescas, símbolos da onda de modernidade que varria então a Argentina.

O tom das pinturas é sempre épico. Miríades de operários anônimos trabalham incessantemente para levantar as engrenagens do progresso. A energia humana se integra numa paisagem de guindastes, caldeiras, chaminés, transatlânticos, fogo e oceano. O que temos diante dos olhos é a sociedade industrial em construção, numa explosão de imagens de intensa vitalidade.

Embarque, Quinquela

Embarque, de Quinquela Martín

Qualquer que seja a data exata do nascimento de Benito Quinquela Marti, mesmo considerando uma ampla faixa de indecisão de 16 de fevereiro a 12 de março de 1890, sempre encontraremos uma quadratura T formada por Saturno, Plutão, Marte e Netuno. Temos aí uma visão transfigurada (Netuno) da energia (Marte-Plutão) e do esforço humano para a superação de limites (Saturno). Na obra do pintor, esse aspecto aparece na forma de uma idealização do trabalho coletivo. Se bem que não lhe falte o tom de crítica social, o que prevalece é a perceção ainda otimista das possibilidades do modelo civilizatório do Ocidente.

Um século depois dos primeiros quadros do gênio argentino, as organizadoras da Vivência da Primavera decretam que o modelo está esgotado e é hora de encontrar rotas de fuga. Os homenzinhos esquemáticos de Quinquela agora descem às pressas as escadas da torre. Para trás ficam a contemporaneidade high-tech e todo o estresse do modelo de produção embrutecedor. O fator de ruptura - o raio fulminante que destruirá o edifício - está presente de forma implícita, e pode desabar a qualquer momento.

A Vivência da Primavera acontece no sábado, 23 de outubro, a partir das 10h da manhã (veja os detalhes) e em absoluta sincronia com o céu. No mapa do início do evento, Plutão, convenientemente, está junto do Ascendente, enquanto Saturno ocupa o Meio do Céu. Onde mais poderiam estar?

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