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Um
olhar brasileiro em Astrologia
Edição 137 :: Novembro/2009 :: - |
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Novidades em mapas do Brasil Um link direto para os vinte mapas mais recentes Total de registros: 498 Última atualização: 17/03/2012 Coreia do Sul (República da Coreia) Coreia do Norte (República Democrática Popular da Coreia) Portugal - Revolução dos Cravos (Revolução de 25 de abril) Paquistão (República Islâmica do Paquistão) Síria (República Árabe da Síria) Incêndio na Base Antártica Comandante Ferraz Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) Sandra Arantes do Nascimento (Sandra Arantes do Nascimento Felinto) D. Claudio Hummes (Auri Afonso Hummes) Juliana Paes (Juliana Couto Paes) Grazi Massafera (Grazielli Soares Massafera) Dan Stulbach (Dan Filip Stulbach) Ronnie Von (Ronaldo Lindenberg Von Schilgem Cintra Nogueira) |
EVENTO EM PERNAMBUCOAstrologia e imaginário nordestino
É fato sabido que as cosmovisões holísticas, entre as quais se inclui a Astrologia, estão divorciadas do saber científico desde o século XVII. Daí resulta, de um lado, uma ciência fragmentária e excessivamente dependente de protocolos esterilizantes; de outro, saberes tradicionais que, à mingua de pesquisas mais estruturadas, correm o risco de se transformarem em bens culturais de consumo descartável, num mercado sempre ávido pelo exótico. É neste panorama que iniciativas como a do NASEB - Núcleo Ariano Suassuna de Estudos Brasileiros, vinculado ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco - provocam surpresa e criam a expectativa de novas pontes para o diálogo transdisciplinar.
O evento acadêmico teve lugar em 20 e 21 de outubro, no Hall do Centro de Convenções do Teatro da UFPE, e fez parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Sob a coordenação do NASEB, aconteceram oficinas, atividades lúdicas, uma exposição cultural, lançamento de livro e uma aula-espetáculo com Ariano Suassuna. A proposta era homenagear o Ano Internacional da Astronomia, mas num patamar inclusivo, capaz de abrir espaço para as múltiplas formas de religação entre o homem e o céu presentes na cosmovisão do homem nordestino. Por isso a presença de diversas entidades representativas da cultura popular. E por isso, também, a participação da sala de estudos cosmológicos Luzes do Céu, grupo constituído pelas astrólogas Ângela Brainer, Martha Perrusi, Dulce Figueiredo e Stella Siebra, entre outros. O resultado foi a percepção de que a linguagem da Astrologia permeia a cultura popular desde o período colonial. Recuperando o fio da meadaÂngela Brainer O evento apresentou uma Astrologia diferente. Não a que está nos livros com as mais refinadas técnicas, tampouco a das discussões filosóficas, mas a que está na manifestação do conhecimento popular, a que está na mata, no agreste, na caatinga, nos riachos e na alma do sertanejo. A Astrologia presente na observação sensível, selvagem e sábia do povo rural nordestino. Tivemos contato com o saber de uma vivência astrológica distinta, de um Brasil peculiar, único, construído e mantido pelo povo que a cada dia, a cada noite, a cada estação, trava uma luta contínua, respeitosa e responsável pela transmissão e manutenção das suas memórias e raízes. É um incansável combate pela continuidade dos valores expressos em suas cantigas, em seus cordéis e em seus almanaques, onde o cortejo dos astros marca as chuvas e estiagem, apontando o sucesso e o fracasso da saga do povo nordestino. A música esteve presente na rabeca, instrumento melódico, utilizado desde a Idade Média, lembrando a harmonia das esferas celestes a ser copiada pela reaproximação dos saberes. Os cordelistas retrataram sua visão cósmica e encantaram o povo com o poder mágico das palavras e rimas, que de forma poética, lúdica, celebram as aventuras dos heróis, dos deuses, dos mitos, dos astros e das estrelas. E as parteiras, tão acostumadas com a tarefa de cortar o cordão umbilical, uniram-se desta vez à proposta de religar o cordão que vinculava a Astrologia às ciências oficiais. As parteirasMartha Perrusi As parteiras, testemunhas da hora do nascimento, estavam presentes para marcar a hora do inicio desta proposta de religação da astrologia com as ciências oficiais. Fazendo parte do Projeto Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais de Pernambuco, que busca reconhecer e salvaguardar todo conhecimento prático das parteiras rurais, das indígenas e das parteiras das comunidades quilombolas, Dona Abigail, parteira em Jaboatão dos Guararapes, quando consultada sobre a relação da lua com os nascimentos, declarou: “Às vezes estou em casa e sou chamada pra fazer um parto. Vejo pela lua que não é a hora, só vou pra levar um chazinho e deixar a pessoa calma. Quando chego digo logo: - fia, isso é a lua que tá fazendo isso com você, ainda não é a hora.” Quando terminou seu relato afirmou: “ a gente sabe a hora porque é a lua quem comanda no nascimento.”
Dona Abigail Constatamos, pelos depoimentos das parteiras, que é forte a presença da oração nos rituais que antecedem os nascimentos. Dona Abigail alegou, categoricamente, que antes da realização do parto elas rezam três Salve Rainha. Acertando a reza inteira, é sinal de que o parto será bom; caso errem, levam imediatamente a parturiente para o hospital. Errando na Salve Rainha, elas não realizam o parto.
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