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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 130 :: Abril/2009 :: -

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OS PRESIDENTES DO SINARJ REVELAM

Como fazer um simpósio
sem arrancar os cabelos

Entrevista

Os palestrantes chupa-público

CONSTELAR - Nesses treze anos já houve alguma vez uma palestra que não chegou a acontecer porque estavam todos em outra palestra simultânea? Quem é o palestrante mais temido pelos demais, no sentido de monopolizar o público e levar os outros a dizerem "não me bote no mesmo horário de fulano"?

CELISA - Que eu saiba isto nunca aconteceu. O que ocorreu na verdade, em poucas situações, foi um interesse maior pela palestra da sala menor que ficou lotada, enquanto a da sala maior não teve o público esperado. Mas não creio que haja um palestrante temido pelos demais.

MARILDA - Nunca observei isso. È claro que o público tem suas preferências, mas não chega a deixar uma sala vazia. E não existe nenhum “bicho-papão” a ser temido atualmente.

OTÁVIO - Nunca há essa unanimidade, mas existem alguns astrólogos que tendem a atrair mais público, com certeza. Não vou citar nomes, mas eu tinha uns dez astrólogos(as) que eram figurinhas carimbadas, era certo que iam encher o auditório pelo apelo que tinham junto ao público da astrologia. Então eu tinha que colocar outros nomes também conhecidos ou temas palpitantes nas salas contíguas para não haver superlotação do auditório. Tinha que contrabalançar. Esses astrólogos chupa-público eram de vários estados diferentes, especialmente do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.


Celisa e PaulaNum intervalo do simpósio de 2004, Celisa Beranger troca idéias com Paula Salotti. Ambas estiveram envolvidas com a organização dos simpósios, em épocas diferentes.

Abaixo: Edil Carvalho e José Celório, mestre em educação. O simpósio de 2004 foi o que apresentou um viés acadêmico mais acentuado, com a participação de diversos palestrantes ligados ao movimento Academia Celeste, uma associação informal de astrólogos e pesquisadores infiltrados em cursos de mestrado e doutorado de universidades convencionais. A característica do grupo, que também inclui Cristina Machado, Martha Perrusi e Carlos Hollanda, é a qualidade teórica e o alto nível de erudição

Edil e Celório


A incrível história da mulher-tartaruga

CONSTELAR – Otávio, a propósito, como foi aquela história que você contou numa lista de discussão, de pessoas indo de uma sala para outra "com a bunda grudada na cadeira"? Foi verdade mesmo ou força de expressão?

OTÁVIO - Isso aconteceu no 3º Simpósio. No Centro de Convenções do Barrashopping, só o auditório maior tinha as cadeiras fixas. Nos outros dois auditórios as cadeiras eram soltas e alinhadas. Como o evento estava lotado, ocorreu uma situação que já esperávamos, apesar de fazermos vários comunicados alertando a respeito: para que os participantes não deixassem bolsas e/ou pertences pessoais nas cadeiras ao se ausentar, a fim de guardar o lugar. Essa situação (marcar lugar para sair nos intervalos) nos trouxe vários problemas, inclusive de roubo. Por exemplo, uma senhora ao voltar encontrou uma bolsa velha estufadinha no lugar da sua. O bondoso larápio levou a bolsa que estava lá, mas teve o cuidado de deixar outra velha, cheia de jornais amassados e uma programação do simpósio. Depois viemos saber o porque disso. Felizmente, conseguimos resolver esse e outros casos por pura sorte e devido ao esquema de segurança infiltrado, que, para os participantes, era quase imperceptível. No entanto houve casos hilários. Uma participante resolveu mudar, num intervalo, da sala “A” para a sala “B” (ambas de cadeiras soltas), e acredito que deve ter ficado com as seguintes dúvidas:

a) se eu for até a outra sala perco o meu lugar aqui, e se lá estiver lotado (ou com tudo marcado), aí fico sem cadeira lá e cá (realmente tinha muita gente assistindo de pé);
b) se eu sair com a minha cadeira na mão serei impedida pelo comitê organizador que não irá permitir que eu leve a cadeira de uma sala para outra...
Solução: ao invés de levar a cadeira normalmente (e seria mesmo impedida pelo comitê), ela se arrumou como uma tartaruga, agachando-se um pouco, ficando quase de quatro, e colocando a cadeira sobre as costas, como se fosse o casco. Assim, foi-se arrastando lentamente pelo foyer, por entre um monte de gente. De repente estava todo mundo olhando e rindo daquela cena insólita. E olhe que era uma senhora já com uma certa idade... Coisas bizarras ocorrem com a Lua Fora de Curso.

CONSTELAR - Normalmente as palestras são de alto nível e as intervenções da plateia mantêm o mesmo padrão. Houve algum momento, nos simpósios anteriores, em que uma discussão "pegou fogo" a ponto de vocês temerem que alguém chegasse às vias de fato?

MARILDA - Que eu saiba isso nunca ocorreu.

CELISA - Que eu saiba isto nunca houve uma grande discussão.

OTÁVIO - Nunca uma discussão chegou a pegar fogo durante uma palestra nos simpósios que realizei, nem mesmo a mesa-redonda entre astrólogos e astrônomos, que foi polida e cordial. Houve problemas sim, mas principalmente durante intervalos, nos banheiros, no foyer, etc.

Por outro lado, no meu ponto de vista, na maioria das vezes as palestras não são de alto nível. Palestras de alto nível ocorrem, sim, mas não são a regra. Muitas vezes prevalece o desejo de aparecer; espreme-se a fruta e não sai suco algum.

CONSTELAR - Dos grandes temas da Astrologia contemporânea (comportamental, mundana, horária, empresarial, médica etc.), qual o mais difícil de programar no simpósio? Por quê?

OTÁVIO - Os simpósios costumam ser temáticos e o tema, de certa forma, acaba ditando o rumo dos títulos e sinopses.

CELISA - Não vejo problema em programar qualquer tema.

MARILDA - Durante a minha gestão nunca houve dificuldades na abordagem de nenhum tema.

CONSTELAR - O que provoca mais estresse nos organizadores: montar a programação, administrar a venda de ingressos, providenciar as viagens dos palestrantes de outras cidades, lidar com as exigências do público ou controlar o tempo dos palestrantes?

MARILDA - O evento na sua totalidade.

OTÁVIO - O que gera estresse é o lançamento e a insegurança se haverá aceitação do público. Depois que um número razoável de ingressos é vendido e o simpósio está garantido, tudo é festa.

CELISA - Para mim o estresse maior sempre foi o evento propriamente dito.


Tradição ou modernidade? O Local Space explica

(se você não conhece a técnica, dê uma olhada aqui).

Otávio Azevedo, ex-presidente do Sinarj, é um defensor apaixonado da Barra da Tijuca, bairro "para onde o Rio se mudou", segundo ele. O número 1, no canto inferior esquerdo do mapa abaixo, indica a localização do moderno e luxuoso Barrashopping, palco dos três primeiros simpósios, sob as linhas de Urano e Netuno no Local Space do Rio. Já Celisa defende a cidade tradicional e carregado de História: o Hotel Flórida (número 2), onde aconteceram os simpósios de 2002 a 2007, fica exatamente ao lado do Palácio do Catete, sede do governo antes da transferência para Brasília, e a quatro quadras do leito (hoje subterrâneo) do rio Carioca, em cujas margens surgiu a primeira feitoria da atual metrópole. No Local Space, corresponde à ação combinada das linhas de Sol e Mercúrio no mapa da cidade. Já Marilda levou o simpósio para Botafogo (número 3), numa região com menos glamour mas com a vantagem da proximidade com os hotéis de Copacabana e o pólo gastronômico da Cobal. No Local Space, o espaço do simpósio fica enquadrado entre as linhas de Plutão e Mercúrio do Rio, o que favorece um evento mais sério e com foco mais definido. Para uma melhor contextualização, as duas setas no mapa indicam, respectivamente: A - O Centro do Rio, na região da Esplanada do Castelo; B - o local de fundação do Rio, nas proximidades do Pão de Açúcar.

 

Rio de Janeiro


CONSTELAR - Por trás de todo evento, há sempre voluntários que trabalham duro e às vezes passam despercebidos. Considerando a história do simpósio, há alguém que tenha trabalhado em todos os anos, ou quase todos, e sintetize esse espírito do "herói anônimo"?

OTÁVIO - No meu caso houve várias pessoas, tanto dentro como fora do SINARJ, e seria injusto destacar um nome. Sempre tivemos o apoio integral de muita gente.

MARILDA - O SINARJ sempre tem seus colaboradores a quem sempre agradecemos no final do evento.

CELISA - É uma característica do SINARJ reunir todos os colaboradores no final do evento e agradecer-lhes publicamente.

CONSTELAR - A organização de outros congressos de Astrologia exige que os palestrantes submetam previamente seu trabalho, em forma de monografia, a uma comissão avaliadora, com poderes para vetar propostas que considerem de nível insatisfatório. O Simpósio do Sinarj dispensa a maioria dos palestrantes dessa exigência. Por quê? O astrólogo brasileiro se sente muito melindrado com a possibilidade de uma avaliação?

OTÁVIO - Quem organiza um Simpósio tem que tentar garantir o sucesso do mesmo. E o sucesso depende muito da presença de certos nomes consagrados. Esses deveriam ter uma liberdade maior em escolher o tema. Em alguns casos pode-se solicitar uma mudança aqui, outra ali, na temática ou sinopse, e isso não é problema para essas pessoas. Quem se garante não cria caso. Geralmente ocorrem mais problemas com palestrantes que não fazem parte desse time.

Quanto à avaliação, acredito que alguns astrólogos podem se ressentir. Mas não posso falar sobre isso pois na minha época o critério era uma mistura de nome, tema e sinopse. Não havia uma avaliação técnica dos convidados, propriamente dita.

No entanto, de uma coisa estou certo: a melhor avaliação, o melhor título ou a melhor sinopse não garantem uma palestra de bom conteúdo. Surpresas sempre acontecem.

CELISA - A remessa prévia de trabalhos é a norma em congressos, mas infelizmente parece que a maioria dos astrólogos brasileiros se sente melindrado com a possibilidade de uma avaliação. A prova disto foi o boicote de nomes importantes ao evento de 2005 na Universidade de Brasília.
Durante minha gestão esperávamos conseguir modificar isto aos poucos através da convocação de trabalhos e a inserção de novos nomes, mas o resultado esperado não aconteceu.

MARILDA - Infelizmente uma grande parte dos astrólogos brasileiros se sente, sim, melindrada com a possibilidade de avaliação do seu trabalho. Tentamos implantar essa modificação através de convocação de trabalhos.

CONSTELAR - O que o Simpósio de 2009 trará de novo em relação aos anos anteriores? Quais as armas do Sinarj para enfrentar os reflexos de um possível aprofundamento da crise econômica mundial?

MARILDA - Teremos esse ano a participação de astrólogos peruanos e estamos tentando apresentar alguns nomes fora do meio astrológico que venham trazer uma visão própria de suas áreas de saber para o momento atual. Para enfrentar os reflexos da atual crise usaremos a criatividade e algumas inovações.

CONSTELAR - Qual o foi o "grande simpósio" da vida de cada um de vocês, e por quê?

Therezinha 2004OTÁVIO - No meu caso, o meu grande simpósio foi o primeiro, por ser o início de tudo. Mas o maior evento de astrologia do Brasil, onde tive o privilégio de palestrar, foi o Congresso Internacional da SARJ no Copacabana Palace, em 1989. Confesso que antes de programar o meu último simpósio (o terceiro) eu tive a tentação de superá-lo e cheguei a sair com membros da diretoria do SINARJ para sondar e orçar o Riocentro e o Hotel Intercontinental a fim de realizar um Super Simpósio do SINARJ, mas logo me convenci de que não seria viável. Os maiores eventos da astrologia nacional continuam sendo os Congressos da SARJ do final dos anos 80, no Copacabana Palace, sob a tutela da Maria Eugênia de Castro e sua irmã, a saudosa Therezinha Gouveia.


Therezinha Gouveia (acima em foto de 2004) foi a primeira presidente do Sinarj.


CELISA - Posso dizer que o meu grande Simpósio foi o de 2002. Era o meu primeiro e tive que enfrentar diversos problemas que começaram no Pré-Simpósio e continuaram durante o Simpósio. Tudo o que ocorreu foi devido ao grupo que era contra nossa posição em defesa da regulamentação, mas pude contar com o apoio incondicional de toda a Diretoria e Conselho Fiscal e consegui encaminhar a questão para uma boa solução. Felizmente tudo terminou na grande união que foi a fundação da UNA.

MARILDA - Foi o 7º Simpósio (2005), pois, apesar de ter participado de todos os anteriores, era o primeiro da minha gestão como presidente do SINARJ.

Leia também sobre simpósios anteriores:

2002 - Simpósio Nacional do SINARJ: a hora da variedade
2004 - Enfim, a transdisciplinaridade
2004 - 6 ° Simpósio Nacional do SINARJ - galeria de imagens
2005 - 7º Simpósio Nacional do Sinarj - Saturno no cinema e Plutão no shopping
2007 - Doce dúvida: em que congresso que eu vou?

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