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Um olhar brasileiro em Astrologia
Edição 12 :: Junho/1999 :: -
[Arquivos de Constelar - Republicado: maio/2007]

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O xamã mexicano Don Miguel Ruiz faz uma crítica feroz aos condicionamentos da vida moderna, que conformam o indivíduo a uma ideologia alienante e anestésica: é o "Sonho do Planeta", que anula o livre arbítrio e a lucidez da consciência. Com base em Don Miguel, Valdenir Benedetti analisa a questão das crenças, dos julgamentos, do medo e da vitimização.

Júpiter e a mutabilidade gasosa

O sistema de crenças é como o Livro da Lei que regula nossa mente. Sem questionar, o que estiver escrito no Livro da Lei é nossa verdade. Baseamos todos os nossos julgamentos segundo o Livro da Lei, mesmo que esses julgamentos e opiniões venham contra nossa própria natureza. Mesmo leis morais como os Dez Mandamentos são programadas em nossas mentes no processo de domesticação. Um a um, todos esses compromissos passam a constar no Livro da Lei, e esses compromissos regem nosso sonho.

O planeta Júpiter e a questão que o envolve - casa IX, Sagitário - representam a elaboração das Leis de um modo geral. Representam nossa aceitação às Leis, nossa identificação com as Leis, sejam as do Livro da Lei que regula o nosso Sonho coletivo, sejam as Leis da Natureza.

A casa IX do horóscopo simboliza, por ser a terceira casa de Fogo, o Fogo Mutável, e como é próprio do modo Mutável, representa uma passagem, um momento de compreensão na dinâmica dos signos. Enfim, esta casa é o aspecto mais sublime de nossa identidade, simbolizada pelo Fogo, é o momento em que transcendemos nosso modelo normal e conhecido e experimentamos uma passagem dimensional para outro plano do elemento, da vida, no caso, conquistamos uma nova Identidade. Por isso, a casa IX simboliza o futuro da nossa identidade, aquilo que queremos ser além de nós mesmos, aquilo que gostaríamos de "ser quando crescermos".

O modo Mutável é, fazendo uma analogia com os estados da matéria, equivalente ao gasoso, enquanto o Fixo corresponde ao estado sólido e o cardinal ao líquido. Este "gasoso" do mutável, seja de Sagitário, Peixes, Virgem ou Gêmeos, pode significar um meio adequado para a propagação do som, ou das idéias, mas pode representar uma neblina, uma névoa que distorce as imagens e impede que a gente veja a real realidade.

Ir além de mim mesmo, como indica o Fogo Mutável de Sagitário e é a função da nona casa, implica ter acesso às Leis Naturais que permitem isto. Implica estabelecer uma relação mais profunda com a Totalidade, e por isso o mecanismo de compreensão das Leis que regulamentam todos os movimentos da Natureza.

A redução deste processo evolutivo natural aos mínimos denominadores comuns estabelecidos pelo Sonho do Planeta faz com que identifiquemos apenas as Leis contidas no Livro da Lei que regulamenta o sonho, e com isto percamos nossa possibilidade de nos vincularmos às Leis Maiores, à Lei da Natureza, a Lei que está contida em nossa essência e em nossa condição de Ser Natural.

Neste caso, em função do compromisso com o Sonho do Planeta, e com nosso Sonho Pessoal, - que foi elaborado a partir de nosso filtro pessoal (identificável pelo horóscopo), mas cujos parâmetros foram fornecidos pelo Sonho coletivo - a perspectiva de sermos mais do que somos, de evoluirmos para outro plano da existência, para projetarmos e criarmos a expectativa de uma nova e cada vez mais requintada identidade, torna-se limitada, ou melhor, atrelada a este Sonho. E, como podemos observar, a proposta do Sonho do Planeta, de um modo geral, é de acumular, ter cada vez mais, possuir, estabilizar, conservar. Tudo bem, não é uma má proposta, afinal, estamos encarnados e somos por enquanto seres físicos, profundamente vinculados e dependentes de uma realidade material. Mas o problema é que é só isto, paramos nisto, nos bastamos com isto.

O peso do compromisso com a realidade material se transforma em um lastro, em um limite difícil de ser superado. Nosso desejo de ser "mais", de evoluir, de nos tornarmos mais plenos, está sempre circunscrito pela necessidade de estabilidade e conforto, o que cria um conflito entre a possibilidade de transformação e a necessidade de conservação. E o sonho nos impõe a conservação. Esta é a idéia de "normalidade" que nos é imposta, a idéia de "mundo perfeito" e de felicidade que aprendemos desde a infncia.

Fica difícil saber para onde ir, além destes referenciais materiais e comportamentais. Fica difícil imaginar que poderíamos ser algo mais do que somos, sem abrir mão do conforto material e da segurança.

Tanto a questão II quanto a questão IX (quando as outras casas todas do horóscopo) tornam-se um peso, algo que nos puxa para a estagnação, em vez de serem referências para a transformação e evolução.

É tão forte o peso do Sonho do Planeta que, escrevendo estas linhas, fico imaginando que não sei o que mais poderiam significar estas casas, que experiências elas poderiam representar além de eu ser uma "pessoa mais importante e com mais dinheiro e estabilidade", e também imagino que não tem sentido não lutar por isso apenas, e que conquistar isto (segurança, estabilidade etc.) é o caminho e a base para a evolução. Fui convencido e meus olhos não conseguem atravessar a névoa e ver algo além. Sinto que existe, mas ainda não reconheço em mim mesmo a capacidade de Ver além.

Como diz o Osho, "...um tomate não pode analisar outro tomate, ele precisa ser mais que um tomate para isto...", e, em termos de olhar a dimensão da nossa existência dentro do estado do Sonho, somos tomates tentando se entender. Por isso a mesmice e a repetição dos conceitos astrológicos; por isso nossa resistência em aceitar que a Astrologia poderia ser diferente do que é. É a mesma resistência em aceitar que nós poderíamos ser diferentes do que somos.

Existe algo em nossa mente que julga a tudo e a todos, incluindo o tempo, o cão, o gato... tudo. O Juiz interno usa o que está escrito no Livro da Lei para julgar o que fazemos e o que não fazemos, o que pensamos e o que deixamos de pensar, mais tudo o que sentimos e deixamos de sentir. Tudo vive sob a tirania deste Juiz. Todas as vezes que fazemos alguma coisa que vai contra o Livro da Lei, o Juiz diz que somos culpados, que precisamos ser punidos e que deveríamos nos envergonhar. Isso acontece muitas vezes por dia, dia após dia, ao longo de todos os anos em que vivermos.

Este algo que existe dentro de nós e que julga é, na verdade, o significado reduzido, distorcido e adaptado pelo Sonho do Planeta para a expressão autorizada de cada símbolo planetário em nosso horóscopo pessoal. Cada expectativa representada por um planeta conduz a um julgamento, pois construímos a realidade a partir desta expectativa, e quando não conseguimos elaborar uma realidade adequada e satisfatória à nossa expectativa, tentamos estabelecer outros critérios para mudar esta realidade, e o mecanismo disso é o julgamento.

Como o julgamento é baseado no Livro da Lei, o significado possível de cada planeta é potencializado pelos códigos e regras contidos neste livro. É isto que passamos a achar certo, é este o significado - o do Livro da Lei - que atribuímos aos planetas no mapa astrológico.

Daí que Vênus passa a corresponder simplesmente aos critérios universais de relacionamento, mas este desejo e estes critérios de relação estão de acordo com o Livro da Lei, são aceitáveis dentro do grande Sonho do Planeta, não representam nenhuma liberdade, nenhuma transgressão. Apenas adaptação aos padrões comuns e aceitáveis pela Ilusão Coletiva de certo e errado.

Evidentemente que Vênus utilizado de acordo com a Lei do grande Sonho Coletivo, não representa necessariamente infelicidade ou desequilíbrio. É necessário sabermos caminhar também neste sonho, pois é nele que nascemos. Mas, olhando em volta de nós, olhando em nossas próprias vidas, percebemos com clareza a quantidade de experiências que deixamos de viver, a intensidade do sofrimento amoroso que as pessoas encontram, a dificuldade que existe para se fazer uma escolha saudável e viver uma relação harmoniosa e plena. Por que será?

Bem, imaginamos que, para o Sonho do Planeta, para que Ele se mantenha, não seria conveniente que as pessoas experimentassem a plenitude do relacionamento consciente, isento de culpa e de competição e conflitos inúteis, pois assim todos descobririam que estamos juntos, que podemos trocar, compartilhar e confiar uns nos outros, e isto seria extremamente perigoso e revolucionário para a manutenção do Sonho, pois eliminaria nossa maior fragilidade.

Isto foi apenas um exemplo de como a necessidade de julgar tudo segundo os critérios do Livro da Lei, o manual de regras do Sonho do Planeta, distorce e nos faz viver distantes de nós mesmos, alheios à nossa plenitude e aos seres divinos que somos.

Pensemos em outro exemplo: Saturno. Este aí, uma das molas mestras da manutenção das leis que nos atrelam ao grande Sonho. O julgamento que Saturno faz da realidade é sempre baseado no medo, na fragilidade de nossa estrutura, exatamente porque no Livro da Lei consta que nascemos frágeis (educadores, parentes etc., insistem obsessivamente em mostrar nossa fraqueza, e que, se não formos obedientes à Lei, seremos punidos), consta que o Medo é uma das referências para definirmos e julgarmos a realidade.

Será que Saturno em outra dimensão de compreensão é apenas medo? É apenas necessidade de segurança? É apenas rigidez? Ou estes critérios, que funcionam como lentes para que vejamos o mundo apenas de acordo com eles, apenas se prestam para que nos mantenhamos atrelados ao Sonho do Planeta e suas decorrências?

O jogo da vítima



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