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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 12 :: Junho/1999 :: -
[Arquivos de Constelar - Republicado: fevereiro/2007]

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EXALTAÇÕES PLANETÁRIAS

O caminho transcendente do Amor

Luciana Rothberg

Num estilo simples e sensível, a autora utiliza o conceito astrológico de exaltações planetárias para apresentar uma perspectiva espiritualista do amor, entendido como poderosa alavanca no processo evolutivo. O artigo foi tema da palestra proferida por Luciana no I Simpósio Nacional de Astrologia do SINARJ.

"E o amor é coisa que ilumina,
somente gente fina pode ter um grande amor..."
(trecho de música de Genival Lacerda)

O amor, em suas variadas manifestações, é um tema permanente na história da arte. O faraó Aquenaton e a rainha Nefertiti, por exemplo, foram retratados por seus contemporâneos de forma naturalista, como dois namorados.

O conhecimento da exaltação dos planetas em signos específicos é milenar, tão antigo que se perde nas brumas do tempo, como aliás, grande parte do corpo estrutural da Astrologia. Cada planeta rege um signo determinado e se exalta num outro signo diferente.

A regência acontece por igualdade de princípios e portanto, observa-se que ali o planeta está em casa, à vontade. A exaltação se manifesta através de uma sintonia ascendente, vertical e evolutiva para os dois fatores envolvidos, planeta e signo, quando então é revelada uma dimensão maior do potencial humano. Ou seja, a exaltação só pode ser vivenciada por quem está buscando sintonizar-se com os princípios e virtudes de um plano superior.

Vejamos o exemplo de Vênus, que rege Touro e Libra, mas tem exaltação em Peixes. Vênus é tradicionalmente conhecida como a deusa do amor, mas, num nível mais básico, ela rege o princípio da atração magnética, é ela quem dá a "nota": bom/ruim, bonito/feio, legal/chato etc.

Então, é óbvio que queremos ter aquelas coisas que nos são agradáveis e poder estar sempre perto das pessoas que amamos, e é portanto natural a regência de Vênus em Touro, um signo de constância e estabilidade.

Só que todo nível tem também a sua polaridade negativa, que nesse caso é o medo de perder o objeto desejado, o que gera apego e ciúmes. Temos então, nesse nível, uma confusão do amor com a posse de outro alguém: amar é igual a possuir.

Quero nesse ponto esclarecer que não estou falando das pessoas que tenham Vênus em Touro, e sim da experiência humana arquetípica, demonstrada por esses símbolos, num dos patamares do processo evolutivo de toda a humanidade.

Com Vênus regendo Libra, observamos que a relação com o desejo por alguém ou alguma coisa já começa a buscar mais equilíbrio e harmonia, porque a verdade é que ninguém consegue aprisionar o parceiro numa relação, se a outra pessoa não quiser de fato. Então, aqui, há o desenvolvimento do respeito e da troca. O perigo está justamente na "negociação", pois tem coisas de que a gente não pode abrir mão de forma alguma, senão cai naquela situação, em que 1+1 = ½ (um mais um fica igual a meio)... Situação infeliz observada com tanta freqüência por aí...

E agora chegamos à Vênus em Peixes, que era o nosso objetivo inicial. Vamos começar observando o signo de Peixes, um signo mutável de água. Peixes rege a experiência da abertura total da sensibilidade psíquica; como o último signo do zodíaco, rege o mergulho nas ondas espirituais, dando a oportunidade de a pessoa mostrar se aprendeu a nadar nas suas próprias emoções ou se vai afundar como uma pedra, como um pára-raio que não agüentou tantas percepções à sua volta.

Vênus, elevada nesse signo, encontra livre espaço para a fluência do amor. Não mais o amor que virou posse, não mais o amor de conveniência. E sim, o encontro mágico de duas almas afinadas numa mesma sintonia, que é o canto que vem do alto, do criador do Universo.

Para a polaridade invertida, no reino das ilusões, observamos também casos tristes de vampirismo, sacrifício inútil e manipulação, mas é como o ditado diz: "quanto mais alto, pior a queda", por isso que uma das piores dores é a dor da desilusão.

E como saber se o que você está vivendo é verdadeiro? É simples, basta se aproximar cada vez mais do Divino Mestre, que ele lhe orientará no caminho. As pessoas ficam querendo viver um grande amor, sem entender que é necessário ligar-se na fonte do Amor Maior, aprender a se colocar na sintonia certa, para isso ser atraído para a sua vida.

Portanto, fica claro o processo evolutivo necessário para alcançar-se a compreensão e a vivência dessa benção, seja através de um romance, seja através de um filho ou de uma amizade, por que não?

Essa experiência de contato transcendente, que se inicia em Vênus abrindo as portas do Amor encantado, tem um desdobramento crescente, que pode ir subindo se as pessoas envolvidas agüentarem.

Romeu e Julieta simbolizaram o amor em sua faceta adolescente, ardente e incapaz de suportar a perda.

Quem dá a continuidade ao processo é Netuno, regente de Peixes, que se exalta em Leão. Aqui, no signo que rege o coração, temos o derramamento da energia amorosa em forma de alegria e luz! É a plenitude da entrega, numa gargalhada das almas que, juntas, libertam-se e dançam no ritmo sagrado da felicidade. E esse derramamento vai criar algo maravilhoso na vida dessas pessoas, um fruto, como a Casa 5 (regida por Leão) bem o demonstra [1].

É aqui também que muitas pessoas se assustam com a intensidade da vivência e fogem apavoradas, ameaçadas com a possibilidade de perderem o seu ego. Provavelmente, vão passar o resto das suas vidas lamentando secretamente não terem tido a coragem suficiente para lidar com a situação.

Porque é indispensável buscar a coragem, quando é o próprio Sol, regente de Leão, em sua exaltação em Áries, quem dá a continuidade ao caminho Real do amor.

Real no sentido de realidade ou realeza? Nesse caso tanto faz, pois é como disse a música: "somente gente fina pode ter um grande amor". E o amor verdadeiro tem o poder da inteireza: quando ele está presente, ele É a realidade.

O Sol exaltado em Áries pode ser sintetizado na frase de Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" .

É necessário ter impulso guerreiro e ousadia para se conquistar o livre arbítrio, que é um dom que Deus deu a todos, assim como o sol nasce todos os dias. Porém, o Sol em Áries também revela que a subida em direção à Luz é sempre com muita luta, quebrando os grilhões da acomodação e do medo. E a entrega amorosa só pode ser feita se a pessoa já tiver conquistado o seu território interior. Afinal, ela só pode dar aos outros aquilo que lhe pertence.

Portanto, passado o momento do êxtase proporcionado pelo amor infinito, as pessoas envolvidas precisam, individualmente, enfrentar e vencer o desafio, integrando esse acontecimento à sua própria vida pessoal. O perigo está no fogo, que ainda predomina e pode se alastrar em paixão flamejante, quando a sexualidade está envolvida.

É o tempo que vai permitir que o processo tenha uma continuidade e um amadurecimento, conforme é indicado por Marte, regente de Áries exaltado em Capricórnio, que é quem continua conduzindo com determinação o caminho de subida em direção ao topo.

Marte exaltado em Capricórnio nos indica a seriedade com que essa vivência incomum deve ser encarada. É o pulso firme da vontade interior, que segura o alvoroço provocado pelo encontro transpessoal. Ensina a importância da disciplina interior, para que seja possível a construção da ponte que leva ao relacionamento duradouro. Uma relação assim pede dedicação, pois tanto se apresenta como uma benção, como também uma responsabilidade para com aquela outra alma amiga.

Capricórnio é o signo do topo, porque rege a sabedoria de colocar as coisas em prática com competência, e assim, mostra claramente o trabalho de aprimoramento constante, que será necessário para reorganizar com calma as novas fronteiras psíquicas, em cada um e conjuntamente. Com isso chegamos ao regente de Capricórnio, Saturno, que se exalta em Libra, signo do casamento e das amizades duradouras, que só serão possíveis onde houver senso de justiça para intermediar as diferenças que vão aparecendo com o passar do tempo num relacionamento.

Saturno em Libra nos dá uma chave fundamental sobre a questão da responsabilidade, que só pesa se a pessoa fizer alguma coisa que ela mesma considera errada. No centro do equilíbrio interior, não há peso nem cobrança. O chamado caminho do meio, que é o fiel da balança. E contudo, quanto trabalho para alcançar esse nível de percepção...! Por isso que a exaltação está sempre mostrando ao aprendiz algo além de onde ele já conseguiu chegar, como uma estrela guia.

É interessante observar que, no final desse caminho de amor, tudo desemboca numa aliança, de ouro ou não, que já vinha sendo mostrada desde sempre pelos anéis de Saturno, um planeta tão bonito do ponto de vista astronômico.

Só que é uma aliança diferente daquela que vem diretamente por Vênus em Libra, pois, como Vênus é regente de Libra e se exalta em Peixes, então, podemos começar tudo de novo, quantas vezes quisermos, fortalecendo cada vez mais o compromisso cósmico perante o Ser Supremo, que foi quem criou tudo isso. Quem diria que o planeta Saturno fosse, no fundo, um grande romântico...

Mas, realmente, a descoberta do Netuno, ainda relativamente recente, é que veio completar essa seqüência, que ainda não tinha se revelado em sua plenitude para a humanidade.

O amor do tipo Vênus em Peixes já foi parte de um modismo na Europa medieval, em plena Era de Peixes, onde era comum que os cavaleiros que partiam para as Cruzadas, ou mesmo ao participar de um torneio, dedicassem a sua vida a uma grande dama - que na maioria das vezes já era casada. Ou seja, era um amor platônico, que era vivido só no sonho e na fantasia. O ideal inatingível [2].

Isto aconteceu naquela época, porque a grande riqueza era a terra; e para que ela não fosse dividida entre vários herdeiros, só o primogênito tinha o direito a se casar, ficando todos os outros filhos impedidos de manter qualquer relação amorosa estável. Daí juntava aquele bando de homens inquietos, que inevitavelmente iriam extravasar a energia lutando entre si, enquanto sonhavam com amores impossíveis.

O amor universal e ao mesmo tempo efetivo está consubstanciado em poucos seres humanos. Gandhi é um dos exemplo.

A descoberta de Netuno em 1846, porém, deu-se num momento histórico em que o Eixo da Era - Peixes/Virgem - pendia desequilibrado para o lado de Virgem, gerando uma visão mecanicista do universo que tendia a ignorar o lado sensível e misterioso da natureza (inclusive da natureza inteiror).

E Netuno veio como um mágico que guardava uma carta fantástica na manga, equilibrando lentamento este eixo em direção a Peixes e fazendo reviver, de dentro da fogueira das vaidades, um anseio real por um sentido mais pleno de vida e desabrochando a flor mística do sagrado coração e seus grandes amores.

Então, no século em que Netuno se revela, vem o Romantismo [3], com força total, e o Espiritismo de Allan Kardec [4], que deu um embasamento prático para toda essa mística ligada à possibilidade de que esses encontros mágicos sejam, na verdade, reencontros de outras vidas.

[1] Entre outros assuntos, a casa 5 é significadora dos romances e dos filhos. (Nota do Editor)

[2] O Eixo Peixes/Virgem já demonstrava uma dificuldade de integração das polaridades: o amor espiritual (Peixes) não podendo ser materializado e vivido no dia a dia (Virgem).

[3] O Romantismo, como movimento literário, tem seu auge em meados do século XIX. Um dos elementos mais característicos desse estilo é a idealização, conceito que pode ser associado a Netuno. (Nota do Editor)

[4] Nas décadas de 40 e 50 do século passado, em correspondência com a descoberta de Netuno, amiudaram-se os fenômenos de comunicação mediúnica em toda a Europa Ocidental e nos Estados Unidos, a ponto de chamar a atenção de pesquisadores com sólida formação acadêmica, como era o caso de Allan Kardec. Este, após anos de pesquisa com diversas fontes mediúnicas, fixou as bases filosóficas do Espiritismo numa seqüência de obras publicadas na França entre 1857 e 1868. Um dos pilares do Espiritismo é o conceito de "fé raciocinada", ou seja, a idéia de que o conhecimento da realidade espiritual (Netuno) deveria estar ancorado em explicações lógicas e princípios racionais (Mercúrio), o que expressa o equilíbrio dos dois pólos do eixo Peixes-Virgem. O país do mundo com maior contingente de espíritas é hoje o Brasil, cujo mapa de independência apresenta o Sol em Virgem e Urano, regente do Ascendente, conjunto a Netuno. (Nota do Editor)

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