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 Edição 128 :: Fevereiro/2008 :: -

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O PODER E O IMAGINÁRIO DOS DESENHOS ANIMADOS

Barack Obama. Mas pode me chamar
de Bob Esponja.

Fernando Fernandes

Obama WallpaperEm momentos críticos, os desenhos animados e as histórias em quadrinhos antecipam, no plano do imaginário, a atmosfera que caracterizará os anseios do povo americano e influenciará a escolha de um novo presidente. Assim foi com Franklin Roosevelt. Assim foi com o medíocre George W. Bush. E assim está sendo com Barack Obama Calça Quadrada, o novo popstar da Casa Branca.

Esquerda: Obama, retratado como super-herói pelo artista gráfico Alex Ross, já virou papel de parede para micros e iPhones.

Na edição nº 81 de Constelar, de março de 2005, contamos como a América de George W. Bush, uma superpotência paranóica, sempre em guarda contra inimigos reais ou imaginários, já estava prefigurada no mapa de estréia do desenho animado As Meninas Superpoderosas, de 1998. Pois agora você vai saber como a América dos sonhos de Barack Obama também estava esboçada nos traços de outro personagem dos desenhos, desta vez bem mais simpático. Prepare-se para conhecer Bob Obama – ou, se preferir, Barack Esponja.

A abordagem que adotamos agora é exatamente a mesma do artigo de quatro anos atrás:

A arte - mesmo em suas manifestações mais óbvias e previsíveis - tem a capacidade de antecipar processos sociais que muitas vezes ainda sequer ganharam qualquer outro canal de expressão. Antes de eclodir no plano da manifestação visível, necessidades e expectativas coletivas emergem no imaginário, revelando-se aqui ou ali na pele de um personagem de ficção, na temática de um filme de sucesso, nos trejeitos de um herói das histórias em quadrinhos.

Franklin RooseveltAgora, voltemos aos fatos. Não é de hoje que a fértil imaginação dos desenhistas americanos cria personagens que parecem antecipar em alguns anos características e núcleos temáticos que serão corporificados na figura de um novo presidente da República.

Assim foi, por exemplo com Franklin Delano Roosevelt, o presidente que enfrentou sucessivamente o drama econômico da Grande Depressão e os horrores da Segunda Guerra Mundial.


À direita: Franklin Delano Roosevelt. Ao assumir, em 1933, o país estava quase falido. Mediante uma política econômica voltada para a geração de emprego e de energia elétrica barata, criou as condições para a retomada do crescimento industrial e a recuperação econômica.

Poucos meses antes do crash da Bolsa de Nova York, quando ninguém ainda poderia imaginar o tamanho da crise que aguardava o país, começaram a surgir nas tirinhas de jornal personagens com talentos e habilidades especiais, capazes de ações muito além da capacidade normal de um ser humano.

Buck RogersFoi o caso de Buck Rogers, primeiro herói de ficção científica, lançado em agosto de 1928; de Tarzan, o Homem-Macaco, cuja versão para quadrinhos surge no início de 1929; e de Popeye, o Marinheiro, cuja primeira história é publicada no mesmo dia da estréia de Tarzan.

Buck Rogers é um oficial americano que se transporta para o século XXV e ajuda a civilização do futuro a enfrentar os terríveis inimigos mongóis. Foi o precursor da ficção científica voltada para o público juvenil, que teria seu apogeu muitas décadas depois na série Guerra nas Estrelas. O rude Popeye resolve tudo com os superpoderes concedidos pelo espinafre, enquanto Tarzan simboliza o milagre da capacidade humana, ao crescer e assumir um papel de líder (“rei dos macacos”) num ambiente absolutamente hostil.


TarzanTarzan dos Macacos (Tarzan of the Apes) foi criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs em 1912. Já motivara inúmeros livros e alguns filmes quando foi transformado pelo desenhista Hal Foster em personagem de histórias em quadrinhos, em 1929. A partir daí tornou-se mundialmente conhecido do público infanto-juvenil.


A crise de 29 e a Grande Depressão que tem início em seguida levam os americanos a desejar sangue novo na presidência do país. Em 1933 toma possa Franklin Roosevelt, que, tal como Tarzan, enfrenta de início uma situação absolutamente hostil; tal como Popeye, resolve as situações de crise apelando para as reservas de energia disponíveis na terra (o “espinafre” de Roosevelt são as grandes hidrelétricas, cuja construção ao mesmo tempo cria novos empregos para milhares de desocupados e garante energia abundante para a indústria); e, tal como Buck Rogers, terá de enfrentar os “mongóis” na forma dos inimigos japoneses, durante a Segunda Guerra. Aliás, às vésperas do início da guerra, novos personagens surgem, desta vez com poderes de super-heróis, simbolizando o terrível esforço que aguardava os Estados Unidos e o futuro papel de maior potência mundial. Para citar os mais emblemáticos, lembremos o Superman (1938) e o Capitão América (1940). É preciso mais?


PopeyePopeye, o Marinheiro, reúne noções de orgulho patriótico e de valorização do senso comum. Mesmo sendo feio, simples e um tanto bronco, tem uma elevada auto-estima e coragem para enfrentar as novas situações. Um exemplo para o americano de classe média. Um dado curioso é que Roosevelt, eleito três anos depois do surgimento de Popeye, também havia sido marinheiro, tendo ocupado o posto de comandante da Marinha dos Estados Unidos entre 1912 e 1920.


George W. Bush, o prefeito de Townsville, e suas superpoderosas protetoras

Agora, um pequeno resumo da história que contamos por inteiro em 2005: antecipando o medo do terrorismo que assolaria os Estados Unidos a partir de 2001, em 12 de março de 1995 um certo trio de personagens faz a sua pré-estréia como desenho animado. Ninguém dá muita atenção. Em 18 de novembro de 1998 o desenho animado é lançado de novo, desta vez para fazer uma longa carreira. O novo desenho logo se transforma em sucesso.

Estréia Meninas Superpoderosas 1995

Meninas Superpoderosas, pré-estréia - 12.3.1995, 19h (EST)
Atlanta, Georgia - 33n44, 84w23.

O detalhe mais significativo: o novo desenho animado tem Júpiter (regente do Ascendente dos Estados Unidos) como dispositor final nas duas cartas, a da pré-estréia em 12/03/95 e a da estréia, em 18/11/98.

Meninas Superpoderosas - início de temporada, 1998

Meninas Superpoderosas, estréia do seriado - 18.11.1998, 20h (EST)
Atlanta, Georgia - 33n44, 84w23.

Meninas Superpoderosas em sinastria com Estados UnidosConsiderando os horários de estréia no Cartoon Network, o Ascendente da carta de 1995 está sobre o Meio do Céu dos Estados Unidos, enquanto o de 1998 está sobre Júpiter do país. De que desenho animado estamos falando? Delas mesmas, as super-heroínas Florzinha, Lindinha e Docinho, mais conhecidas como Meninas Superpoderosas!

As meninas vivem em Townsville, uma cidade imaginária que bem poderia chamar-se  Washington, D.C. Townsville é administrada por um prefeito incompetente que se acha cercado de inimigos (qualquer semelhança com George W. Bush NÃO é mera coincidência).

Carta interna: Independência dos Estados Unidos. Planetas no círculo externo: estréia do seriado As Meninas Superpoderosas, com Plutão no Ascendente americano e diversos outros interaspectos significativos.

Florzinha, Docinho e LindinhaAs meninas têm cinco anos e nenhuma vida privada. Vivem a serviço do Estado, lutando contra os inimigos de Townsville. São o fruto de uma experiência científica do professor Utonium. É claro que os inimigos de Townsville são os inimigos dos Estados Unidos e que o Prof. Utonium (plutônio!) é um símbolo da ciência e da indústria militar americana.

Saddam Hussein e o Macaco LoucoO Macaco Louco era assistente do Prof. Utonium, mas tentou roubar suas fórmulas e transformou-se num monstro com supercérebro. Para segurar a enorme cabeça, precisa usar um turbante, o que lhe dá uma aparência árabe. Tal como Saddam Hussein - que foi, no princípio, aliado dos Estados Unidos e financiado pelos americanos - passou a ser um inimigo em busca do controle do mundo.

Condolleeza BellumO prefeito incompetente tem uma eficiente assistente chamada Srta. Sarah Bellum, que cuida de tudo para ele e orienta as Meninas Superpoderosas. Sarah Bellum lembra cerebelo (uma mulher que usa a cabeça). Bellum significa GUERRA em latim. Não é preciso muito esforço para associar a Srta. Bellum com uma certa Srta. Condoleeza Rice, a Secretária de Estado do ex-presidente Bush.

Direita: a cabeça é de Condoleezza, enquanto o corpo é da misteriosa Srta. Bellum (que nunca mostra o rosto).

Uma ameaça ao american way of life?

Poucos meses depois da estréia das Superpoderosas, surgia um novo desenho animado que iria dividir a preferência do público e tornar-se conhecido mundialmente. Bob Esponja, lançado em 1º de maio de 1999, tornou-se um enorme sucesso, cujo auge ocorreu entre 2001 e 2003. Bob Esponja expressa valores de companheirismo, afetividade, amizade, empatia para com o diferente e postura não-competitiva. Exatamente o oposto da era Bush.

Bob EsponjaA preocupação com o coletivo e a ênfase na solidariedade como cimento das relações sociais fazem pensar em Aquário e Peixes; a alegria e o exibicionismo do personagem, assim como a escandalosa cor amarela, lembram Leão. A comunicabilidade remete aos signos de Ar, de forma geral; e a afetividade, disposição para envolver-se com outros e a vida profissional ligada à comida (ele é cozinheiro) apontam para Touro e Câncer.

O desenho Bob Esponja foi apresentado pela primeira vez logo depois do especial Nickelodeon Kids' Choice Awards, no sábado, em 1º de maio de 1999, provavelmente no início da noite. Como não há certeza da hora, consideremos uma carta solar para o meio-dia da Flórida (sede da emissora Nickelodeon).

Bob Esponja - carta solar

Bob Esponja - Estréia na TV - 01.05.1999, carta solar

O Sol está em conjunção com Saturno em Touro (a situação submissa, a rotina do trabalho ligado à comida) e em quadratura com Netuno e Urano em Aquário (a necessidade de uma vida social intensa, o idealismo, o envolvimento com as questões coletivas). A configuração já fala muito sobre a tônica desse desenho animado. Mas Bob Esponja tem um segundo mapa, para a a estréia regular da série: 17 de junho de 1999, quando vai ao ar o segundo episódio e o programa entra definitivamente na grade de programação da emissora.

Bob Esponja - início da temporada regular do programa

Bob Esponja, primeira apresentação da temporada regular.
17.07.1999, carta solar.

O segundo mapa completa o primeiro ao destacar o eixo Leão-Aquário (oposição Lua-Urano), ao enfatizar o aspecto exagerado do personagem (quadratura Netuno-Júpiter) e ao apresentar o Sol num signo de comunicação (Gêmeos). Mais adiante veremos como esses mapas se conectam com o Barack Obama.

Sr. SiriguejoBob Esponja trabalha no restaurante do Sr. Siriguejo, um caranguejo que só pensa em dinheiro. É preciso lembrar que Câncer (ou Caranguejo) é o signo solar dos Estados Unidos? O grande rival do Sr. Siriguejo é Sheldon, o plâncton que quer dominar o mundo roubando o segredo do hambúrguer de siri. Sheldon, um ser minúsculo, indiferenciado e que só se torna poderoso quando reúne um exército formado por sua enorme família (milhares de plânctons exatamente iguais) pode simbolizar os chineses, seres também indiferenciados aos olhos dos americanos, que não produzem tecnologia própria e pirateiam tudo. A luta pela receita do hambúrguer de siri recorda a queda de braço em nível mundial entre as grandes corporações que defendem suas patentes e os países emergentes que pretendem quebrá-las.

SheldonO minúsculo e megalomaníaco Sheldon, o plâncton de um olho só, pode ser uma boa imagem para a visão preconceituosa que os americanos têm dos chineses, em particular, e dos orientais, de uma forma geral: o "perigo amarelo", hordas de trabalhadores baratos que reproduzem a custo mínimo os produtos do Ocidente, sem pagar os devidos royalties. Sheldon, que é casado com um enorme "computador-fêmea" (a apropriação da alta tecnologia pelo mundo subdesenvolvido), é retratado de forma ridícula, mas representa para os americanos um perigo real.

Chineses trabalhando em fábrica

A problemática presente nos desenhos de Bob Esponja também faz parte das preocupações de Barack Obama. O mapa do presidente e os mapas do personagem apresentam diversas ressonâncias. Vejamos as mais importantes:

  • Sol em quadratura com Netuno no nascimento de Obama e na estréia de Bob Esponja - é um aspecto de idealismo, inspiração mas também de ausência de limites e falta de praticidade.
  • Ênfase no eixo Leão-Aquário (em Obama e no início de temporada de Bob Esponja) - "Yes, we can!"
  • Aspecto Júpiter-Mercúrio (conjunção na estréia do desenho e oposição em Obama) - é um indicador de verborragia e de um discurso generoso, cheio de idéias grandiosas, se bem que às vezes tão ocas quanto um balão de gás.
  • Luminares em Leão e Gêmeos - Sol e Lua estão em posições trocadas no mapa de Obama e no do início de temporada do desenho. Tanto Obama quanto Bob Esponja adoram um palco e um microfone.

Barack Obama

Barack Obama - 4.8.1961, 19h24 (-10:00)
Honolulu, Havaí - 157w51, 21n18

Além dessas, ainda existem as correlações não astrológicas:

  • Bob Esponja nasceu e vive num lugar chamado Fenda do Bikini, no meio do Oceano Pacífico. Já Barack Obama nasceu em Honolulu, Havaí, igualmente no meio do Oceano Pacífico.
  • Bob Esponja tem uma inclinação para lidar com os diferentes. Uma de suas melhores amigas é uma fêmea de esquilo chamada Sandy que visita o fundo do mar utilizando um escafandro e às vezes leva Bob Esponja para passear na superfície. Barack Obama também tem ligação com membros de diversas minorias étnicas e religiosas, gente que, para os americanos conservadores, parece tão esquisita quanto um esquilo no fundo do mar.
  • Bob Esponja foi acusado de estimular comportamentos antiamericanos. Sua suposta ligação homossexual com Patrick Estrela é vista por entidades conservadoras como uma influência negativa para as crianças. Barack Obama sofreu os mesmos preconceitos, seja por ser negro, seja pelas origens muçulmanas de parte de sua família.

Bob Esponja é carismático e bem intencionado, mas não consegue mudar a realidade de seu mundo. Por mais que tumultue e subverta a rotina do restaurante onde trabalha, sempre acaba de volta à cozinha - e trabalhando para engordar a conta bancária do Sr. Siriguejo. Se pensarmos que o dono do restaurante funciona como uma metáfora para todo o complexo industrial-financeiro americano, a analogia é clara: Barack Obama pode ter muitos projetos, mas o papel que se espera dele é o de restaurar a velha ordem, criando condições de retomada da prosperidade para banqueiros, tubarões da indústria e raposas do mercado financeiro.

Bob Esponja nos braços dos peixes

Bob Esponja nos braços (braços?) dos peixes, em desenho da fase 2000-2001, em absoluta antecipação das cenas de histeria de Obama nos braços do povo. Um detalhe curioso é que, por progressão secundária, o Sol de um país (assim como o de uma pessoa) muda de signo a cada trinta anos. O Sol dos Estados Unidos entrou em Peixes no final de 2004. A mudança do tom astrológico do país é anunciada em Bob Esponja e plenamente realizada na ascensão de Obama, o presidente que veio das águas (nasceu no Havaí).

Obamania

Obama é tão popular e bem intencionado quanto Bob Esponja. Conseguirá mudar alguma coisa? O desafio é pesado. Que o digam os trânsitos que Plutão já começa a fazer, formando sucessivas oposições a todos os planetas em Câncer do mapa americano. Talvez daqui a alguns anos estejamos comparando Obama não mais com Bob Esponja, mas sim com a depressiva figura de Lula Molusco.

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