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Um
olhar brasileiro em Astrologia
Edição 124 :: Outubro/2008 :: - |
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PRELO - CRÍTICA DE LIVROSAstrologia, uma ciência malsucedida
Segredos do Céu é um estudo sobre a natureza da Astrologia produzido por um não astrólogo. O que esse autor, filósofo e crítico influente do status da ciência contemporânea, tem a nos dizer? BERLINSKI, David. Segredos do céu – Astrologia e a arte da previsão. São Paulo: Editora Globo, 2005.
O livro partiu de um convite da editora para que ele escrevesse a história da “ciência malsucedida”. Ao longo da pesquisa o Autor descobriu o mundo da Astrologia, e o homem de ciência que ele é (ver quadro), em pelo menos duas passagens do texto denomina-se, então, astrólogo. Não terá sido por acaso que ele adotou a Astrologia para si, depois de escrever esse texto. O autor discute, explica, questiona e nos chama ao diálogo o tempo todo. Com clareza e objetividade, ele quer entender “Os segredos do céu”, aqueles que estão no caminho da cultura humana desde os tempos de Assurbanípal. É com essa personagem histórica que o Autor começa sua descrição ao longo do tempo. Por doze capítulos, relacionados aos doze signos zodiacais em seqüência cronológica, de Áries a Peixes, ele marca várias fases temporais em diferentes regiões do mundo por onde a Astrologia marcou presença. Visitamos a Biblioteca de Alexandria, ao lado de Ptolomeu e o Tetrabiblos, passeamos pelos corredores do poder em Roma, ao lado de Domiciano, Augusto e Tibério, tomamos contato com a opulência material e intelectual das Arábias, ao lado de AL Ghazalli, Abu Mashar e Al Kindi, conversamos com as teorias de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino, andamos pela sociedade londrina com William Lilly e assistimos à explosão científica com e depois de Kepler e de Newton. Personagens vivas, em espaços coloridos, nos impressionam a imaginação, enquanto o Autor vai levantando as grandes questões da Astrologia. Paralelamente, ele vai juntando argumentos que possam responder a sua pergunta: por que a Astrologia foi malsucedida? Ele não tem resposta pronta, nem tem interesse em denegrir a imagem da “ciência malsucedida”.
Ao lado de argumentos que elege cuidadosamente - e que nos indicam uma exigente pesquisa, feita em cerca de cinco ou seis dentre as maiores bibliotecas da Europa e dos EUA -, dentro de uma argumentação lógica e particular ao pensamento de um cientista, ele discute a natureza e as limitações das técnicas utilizadas pelos astrólogos, sua função na sociedade, suas posturas. Sua admiração pela Astrologia não o impede de ser bastante objetivo e crítico em relação a tudo o que acredita ser ineficiente ou inadequado, tanto em relação à função que o astrólogo exerce nas sociedades, como em relação aos critérios teóricos usados por ele. Escolhe temas importantes que percorrem e até dirigem a organização de sua argumentação, construída pouco a pouco, ao longo do texto: Júpiter provoca ou simboliza? Há ação à distância? Como cobrir o espaço entre a causa e o efeito? O eclipse é um sinal ou a causa de determinado fato? Ele repete, na verdade, algumas das questões apontadas por nossos críticos: a relação entre evento e movimento dos céus e previsões não acontecem e muitos eventos acontecem e não foram previstos. Ainda lembra a frase bastante presente no discurso dos astrólogos: “As estrelas predispõem, mas não obrigam”, e questiona: Não é um paradoxo? Não há nessa afirmação uma contradição implícita? Tais dúvidas ficam no ar o tempo todo em clima de análise. Ao lado dos dados, reflexões e questionamentos, ele termina por ratificar o mote que lhe serviu de partida. Ainda assim, justifica a presença da Astrologia ao longo dos milênios. Ela responde às expectativas que os homens têm daquilo que o autor define como “obsessão humana”, que é “conhecer o futuro e tentar buscar explicações para eventos imprevisíveis do dia-a-dia.” E vai mais longe quando, apesar de mostrar que a Astrologia é uma ciência malsucedida, indica que há uma similaridade entre o pensamento astrológico e o das ciências. Segundo ele, a “natureza peculiar” do pensamento astrológico está presente em todas as ciências. Ambas querem entender e até descobrir como prever eventos. E em ambas restam inúmeras perguntas sem respostas. Ou seja, parece pouco relevante ao autor que a Astrologia não seja uma ciência tal como são as físicas e as matemáticas. Ela se justifica como resposta a uma necessidade humana e, aos tropeços, com sucessos e fracassos como o texto a descreve, ainda assim, ela se sustenta como parte do conhecimento humano. Outros artigos de Ana Maria González. |
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