Constelar Home
menu
Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 123 :: Setembro/2008 :: -

Busca temática:

Índices por autor:

| A - B | C - D | E - F |
| G - L
| M - Q | R - Z |

Explore por edição:

1998 - 2000 | 2001 - 2002
2003 - 2004 | 2005 - 2006
2007 - 2008 | 2009 - 2010
2011 - 2013 |

País & Mundo |
Cotidiano | Opine! |
Dicas & Eventos |

NOVAS PROPOSTAS

Astrologia do Presente

Valdenir Benedetti

O mapa astrológico mostra o que pensamos que somos, e não necessariamente o que na verdade somos. Já para a Astrologia focada no Presente, o horóscopo é o mapa do caminho do retorno à nossa casa, ao nosso Ser. Olhar o horóscopo, e se permitir deixar de ser aquilo que se pensava ser, é absolutamente revolucionário.

espelhos

Introdução

A Astrologia nos desperta para o misterioso. Nos caminhos do mistério, sentimos a clara necessidade de investigar novas compreensões, encontrar chaves, passagens para níveis cada vez mais altos e claros de entendimento. Desvendar o mistério.

Às vezes falta motivação. Outras vezes, humana preguiça nos comove e convence. Em alguns momentos podemos perder o foco e, em outros, encontrar o foco novamente, mas sempre a Astrologia – uma vez que entremos nesse misterioso caminho – nos alimenta de alguma forma e se faz presente em nossas vidas.

Se tivermos sorte, ou estivermos atentos o suficiente, podemos prosseguir com eficiência e alguma produtividade. Novas sementes surgem sempre quando se caminha e, se as semearmos, frutos bons devem brotar.

Foi nessa busca de novas sementes e necessidade de solo fértil que encontrei um aluno virtual. Ou melhor, ele me encontrou. Veio transbordando de perguntas. Perguntas instigantes, que vão obrigando a gente a ficar desperto, e, dentro desse estímulo desafiador, podemos aprender algo novo com o que surge no silêncio que acontece entre uma pergunta e sua resposta. Um turbilhão de idéias aparece quando a energia flui entre as pessoas, e, exatamente nesse acontecimento, nessa troca, nasce uma inédita compreensão do que se vem aprendendo a cada dia. Novas sementes estão sendo plantadas.

Estou aqui compartilhando um desses diálogos com meu aluno virtual, seqüência daqueles que vêm acontecendo e princípio de outros que já prometem aflorar.

O material foi um pouco editado durante a transcrição para as idéias ficarem claras, mas nada foi efetivamente alterado. O formato é o de perguntas e respostas, reproduzindo o mais fielmente possível as conversas que tivemos.

Tratávamos aqui de um tema recorrente nos dias de hoje: viver o presente e como a astrologia pode se aplicar a isso.

Aí está o resultado. Experimentem.

P – O que é “astrologia focada no presente”?

R – Astrologia do Presente (vamos resumir com essa expressão) é a astrologia do que é presente, daquilo que esta acontecendo agora. É uma astrologia que não trabalha com base no Tempo, ou seja, não é seu propósito fundamental operar com o futuro ou com o passado. O tempo dos verbos é conjugado no presente, raramente no futuro ou no passado e nunca no futuro do pretérito.

A idéia de passado e futuro para a Astrologia do Presente é encarada exatamente como uma idéia, um pensamento, um entendimento. Pode ser mais que isso?

Passado é compreendido como referência na formação do estado de ser atual, e pode, a partir daí, ser deixado em seu devido lugar. Podemos não precisar mais carregar o passado todo o tempo.

Também não é propósito de uma astrologia focada no presente gastar energia com o futuro. Ele só pode ser construído neste exato instante: não há necessidade de se pré-ocupar, pré-sentir, pré-ouvir ou pré-dizer, porque o tempo do agora pode ser usado plenamente para saber e viver o que está acontecendo exatamente agora. Não é possível viver de fato antecipadamente uma situação, como não é possível respirar agora a próxima respiração.

P – Esse jeito de olhar para a Astrologia usa o horóscopo para quê?

R – A Astrologia do Presente usa o horóscopo exatamente como aquilo que ele é: um mapa. Um roteiro ou um guia para nos conduzir a um determinado lugar, um lugar muito especial: nossa casa. Para a Astrologia focada no Presente, o horóscopo é o mapa do caminho do retorno à nossa casa, ao nosso Ser.

Curiosamente, o mapa de uma viagem que nos conduz ao lugar onde sempre estivemos e eventualmente não lembrávamos. Um lugar ao qual nunca chegaremos de fato porque nele já estamos. Sempre estivemos.

ilusão ótica

P – O Horóscopo, nessa visão, mostra como somos?

R – O mapa astrológico mostra o que pensamos que somos, o que nos ensinaram que somos, e não necessariamente o que na verdade somos.

Se olharmos corajosamente para tudo aquilo que não somos – e pensávamos ser – podemos arrancar os véus, podemos tirar as máscaras, despir toda fantasia a nosso respeito, toda carga de crenças e condicionamentos que costumamos chamar de personalidade. O que restar disso tudo será exatamente o que somos, nossa essência, aquilo que É.

Naquilo que Somos não existe sofrimento. O sofrimento é criado pelo esforço em sermos outra coisa, que não nós mesmos.

 P – Como eu posso saber se “aquilo que somos”, o que restou depois de jogar fora tudo que descobrimos que não somos, também não é apenas mais uma ilusão, como era aquilo que pensávamos ser?

R – Não há como saber. Isso não tem nada a ver com saber. É apenas um sentir, tão absoluto que se transforma em uma convicção, em um sentimento de integração com algo tão imenso, que qualquer palavra que se diga é tosca diante da grandeza do que se sente.

As palavras perdem o sentido, não são suficientes para descrever o estado revelado, como quando alguém se apaixona profundamente, por exemplo.

Então, não precisa saber. Basta sentir que perceberá que não é uma ilusão. E pode inclusive escolher onde quer existir: se nesse estupendo sentimento de totalidade e liberdade, ou no velho sentimento de segurança e luta pela segurança.

P – Se eu descobrir tudo que não sou através do mapa, meus problemas acabam?

R – Não. Nenhum problema acaba, porque em essência eles nem existem. Nada muda na verdade no mundo das aparências. Você apenas fica sabendo que você não é seus problemas. Eles nem sequer são seus problemas, e, sabendo isso, você pode olhar para eles, observá-los e agir com autonomia sobre o que acontece. O mapa astrológico permite que você possa olhar para aquilo que chama de problemas, sem se identificar com eles, e isso facilita e permite a resolução das coisas.

P – Então os signos, planetas e Ascendente e tudo mais da astrologia não mostram aquilo que eu sou, como sou?

R - Durante milênios, o Ser vem sendo convencido de que ele pode ser alguma coisa, que ele precisa ser “alguém”, que ele tem uma personalidade, que existem infinitas classificações e níveis em sua personalidade, mas isso é apenas uma idéia, um pensamento, uma crença instituída. A única função da imposição cultural dessa necessidade de ser alguém ou alguma coisa é manter o indivíduo afastado de seu verdadeiro Ser. Você não é o que seu horóscopo mostra, mas pode utilizar esse recurso simbólico como canal da expressão do que você realmente é.

Estamos falando aqui de uma mudança de paradigma.

P – Mas como então funciona meu signo? Como é que as pessoas se comportam exatamente de acordo com o signo, Ascendente, Lua, etc.?

R – As perguntas já contêm em si a resposta: “as pessoas se comportam”. É apenas comportamento condicionado. É simplesmente uma representação possível – dentro do plano da matéria – de qualidades essenciais e transcendentes. Comportamento pode ser escolhido. Comportamento pode ser condicionado. Ninguém é seu comportamento, e o horóscopo não tem como mostrar com exatidão as infinitas possibilidades de comportamento. Só o intérprete enxerga e presume comportamentos no horóscopo. E só acerta, com aparente precisão, quando eles são repetitivos e automáticos.

O horóscopo é um meio de rompermos conscientemente com acordos existenciais, que jamais fizemos por livre vontade; nos livrarmos de programações e crenças que não nos dizem respeito.

P – Então, o horóscopo não serve para a gente se compreender melhor e também melhorar nossas vidas?

R – O horóscopo certamente serve para que você se compreenda melhor, exatamente por saber quem você não é. Poder se livrar de todos os rótulos e descrições – que lhe foram impostos através de tantas gerações – é uma grande experiência de liberdade e um ato de rebeldia sem precedentes em sua vida. Olhar o horóscopo, e se permitir deixar de ser aquilo que pensava ser, é absolutamente revolucionário.

Quanto à “melhorar nossas vidas”, basta examinar a sua própria vida e fazer a pergunta: melhorar o quê? Como se pode melhorar a vida?

Você só pode permitir que a vida flua sem resistir a ela. Você simplesmente pode fluir junto com a existência, sem ficar impondo regras, que estão em sua mente e em nenhum outro lugar. A vida é a vida e pronto, não há como melhorar a vida. O ato de viver já é completo e pleno em si mesmo.

O que podemos é navegar com doçura, fluir harmoniosamente com a vida. Isso é um grande passo, o único. E então, tudo funcionará exatamente como deve funcionar.

P – Mas como se explica, por exemplo, que uma pessoa do signo de Capricórnio seja ranzinza, ou um ariano seja impulsivo?

R- No universo das aparências, um capricorniano pode ser ranzinza e um ariano impulsivo, mas é apenas uma ilusão institucionalizada, é apenas uma expressão comportamental. A essência desses seres nem é uma coisa, nem outra. Ser ranzinza ou impulsivo é uma escolha, um condicionamento ou uma imposição cultural e não uma fatalidade. Essencialmente, quem pode ser ranzinza, ou seja lá o que for? Apenas o ego, a mente, pode se identificar com esses programas comportamentais e se sujeitar a eles.

Ao identificar-se com a descrição que é feita dela - tanto a construção subjetiva que acontece no próprio processo histórico de sua vida, quanto descrições objetivas, feitas por astrólogos ou leituras - a pessoa passa a agir assim e pensar que é esse agir, ou melhor, pensar que ela é essa descrição. As explicações dadas aos signos ou ao horóscopo servem para sedimentar a ilusão do que pensamos que somos ou, no caminho da consciência, para nos libertarmos disso verdadeiramente.

Sobre a utilidade dos guarda-chuvas



Atalhos de Constelar | Voltar à capa desta edição |

Divani Terçarolli - A Astrologia como caminho espiritual | Os signos fixos, a esfinge e os mitos do apego |
| Escorpião: o mito de Hércules e a Hidra de Lerna | Aquário: o mito de Prometeu |
Alexey Dodsworth - Dorival Caymmi | É doce morrer no mar |
Valdenir Benedetti - Astrologia do Presente | Introdução |
| Sobre a utilidade dos guarda-chuvas | Os níveis de abordagem do símbolo |

Edições anteriores:

Niso Vianna - Astrologia Mundial | A Grande Depressão da década de 30 |
Niso Vianna - Previsões para Brasil e Estados Unidos | 2010, uma crise a caminho |
Equipe de Constelar - Eventos | O que anda na boca do astrólogo brasileiro | Os planetas que não dão IBOPE |
Fernando Fernandes - Astrológica 2008 | Com quantos clipes se conta uma história |


Cadastre seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização do site!
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos.
Reprodução proibida sem autorização dos autores.
Constelar Home Mapas do Brasil Tambores de América Escola Astroletiva