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Um olhar brasileiro em Astrologia
 Edição 112 :: Outubro/2007 :: -

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AMÉRICO VESPÚCIO

América, o batismo de um continente

Raul V. Martinez

A chegada de Colombo ao Novo Mundo, em outubro de 1492, desencadeia especulações, disputas e ambições entre as principais potências da época. Um dos feitos mais sensacionais do período foi o golpe de marketing de um cosmógrafo que se transformou no único homem na face da Terra a dar seu nome a todo um continente.

Cristóvão Colombo acreditava que navegando para Oeste se poderia chegar às Índias mais facilmente do que contornando a África. Mas esse plano apresentava duas falhas: ao utilizar dados do cosmógrafo Alfraganus não diferenciou milhas árabes de milhas italianas e admitiu como corretas informações erradas que diziam que as terras contínuas, de Portugal até a extremidade oriental da Ásia, se estendiam por 283º - ficando para os mares apenas 77º. Possivelmente por saber dessas incorreções, D. João II, rei de Portugal, não se interessou pelo plano de Colombo.

Quanto ao cosmógrafo e astrônomo árabe Alfraganus (origem das palavras fragata e naufrágio), ou Al-Farghani, sabe-se que morreu depois do ano 861, no Egito, e que nasceu na atual Fergana, no Uzbequistão. Seu trabalho mais importante, sobre astronomia ptolomaica, foi escrito entre 833 e 857 - com várias edições latinas, foi bastante estudado na Europa entre o 12º e o 17º séculos. Dois outros tratados seus, sobre astrolábios, também sobreviveram.

[direita: folha de rosto de edição
de um manual de Alfraganus, de 1546]

Após a morte da esposa, Colombo foi para a Espanha, de onde partiu no dia 3 de agosto de 1492 do porto de Palos, em direção às Índias, pela rota que imaginava mais curta, atravessando o Atlântico. Depois de carregar o navio com provisões nas Ilhas Canárias, o Santa Maria e as duas caravelas de apoio empreenderam viagem de cinco semanas pelo mar, chegando ao litoral que hoje conhecemos como as Bahamas no dia 12 de outubro de 1492. Voltou triunfante à Espanha. Nomeado administrador das terras recém-descobertas, teve desempenho desastroso, a tal ponto que em 1500 foi substituído pelo interventor Francisco de Bobadilha. Seu maior crime, o genocídio de nativos, foi retratado pelo frade dominicano Bartolomeu de Las Casas.

Kirkpatrick Sale em The Conquest of Paradise (publ. Alfred A. Knopf - 1990) também mostra Cristóvão Colombo como vulgar, ganancioso e extremamente confuso em suas observações de navegação, além de demonstrar uma ferocidade bestial com os nativos. Sale diz que as tripulações de Colombo, formadas na maioria por ladrões e desocupados, disseminaram doenças como a tuberculose e a varíola, que mataram milhares de nativos logo nos primeiros contatos em terra.

Possivelmente esses fatos contribuíram para que o nome do continente descoberto por Colombo não fosse vinculado a seu nome. O nome América está ligado a Américo Vespúcio, navegador nascido em Florença, Itália, que, ao contrário de Colombo, descrevia bem suas viagens. Vespúcio constata, astronomicamente, que as terras descobertas estavam muito distantes das Índias.

Essas descrições foram utilizadas por sacerdotes cartógrafos da Vila de Saint-Dié, na França, onde o ilustrador Monsenhor Martin Waldseemüller, ao preparar o mapa do Novo Mundo, sugeriu o nome Amerige para as novas terras, nome que se transformou em América.

De http://www.geocities.com/pensamentobr/medievalciber.pdf:

A Cartografia passou por uma mudança através dos mapas de Waldseemüller, que literalmente liberta o mapa das cópias feitas por um cartógrafo e dos detalhes de uma obra de arte. Com o tamanho de 2,5 metros de largura, ele era composto por 12 blocos de madeira e acompanhava a edição de um tratado geográfico - Cosmographiae Introductio de 1507. Outro passo à liberdade é que ele foi o primeiro mapa que se estende até 360º de longitude, apesar de representar a distância norte-sul em apenas 130º. É por sua causa que o nosso continente foi batizado com o nome de América. Seu autor havia lido os relatos de Américo Vespúcio publicados em 1503 (a carta Mundus Novus) e como Colombo não aceitava a idéia de ter encontrado outras terras que não fossem as "Índias" (veja o seu Testamento), Vespúcio foi novamente homenageado estando ao lado de Ptolomeu no topo deste mapa. O Oceano Pacífico já aparece, embora somente quinze anos depois Magalhães o descobriria, e por isto não há comunicação entre o Pacífico e o Atlântico.

Vespúcio constatou, astronomicamente, observando uma conjunção Marte-Lua, que as terras descobertas estavam muito distantes das Índias. Com isso coletou elementos seguros que lhe permitiam afirmar que Colombo havia descoberto um novo continente, que com certeza estava a Oeste da Espanha, e não a Leste, onde estavam as Índias.

Américo Vespúcio e o Brasil

Resumido do site Historianet:

Américo Vespúcio contribuiu significativamente com registros sobre o Brasil, durante a viagem comandada por Gonçalo Coelho que partiu de Lisboa em 10 de maio de 1501.

Após seu primeiro e breve contato com D. Manuel I, ocorrido em fevereiro de 1500, Américo Vespúcio, em uma esquadra comandada por Gonçalo Dias, zarpou ruma às Canárias, logo após resolveram parar em Bezeguiche, localizado à frente do Cabo Verde, onde então houve um momento de coincidências com embarcações, também ali paradas, pertencentes à esquadra de Pedro Álvares Cabral e Diogo Dias. Este memorável encontro gerou a certeza, por parte dos comandantes e do próprio Vespúcio, de que estavam percorrendo um novo continente, um "novo mundo", diferentemente da afirmação de Colombo em 1492.

Em 15 de junho de 1501 Vespúcio segue rumo ao Brasil, sob comando de Gonçalo Coelho. A esquadra era formada por três caravelas. De acordo com Ricardo Fontana, um dedicado estudioso do assunto, a partir deste momento o desejo de novas aventuras começara efetivamente para Américo Vespúcio, pilotando uma das embarcações da esquadra.

Em agosto de 1501 as três caravelas da esquadra ancoram na Praia de Marcos, litoral do atual Rio Grande do Norte. O primeiro contato dos marujos com os nativos do Brasil aconteceu somente após o primeiro dia já em terra firme. Contato este que, na verdade, foi desprezado por parte dos nativos, que ignoraram todas as quinquilharias, oferecidas pelos homens de Gonçalo Coelho.

Vespúcio narra em sua carta denominada Lettera o primeiro caso de antropofagia dos nativos da América, incluindo os europeus como vítimas. Tal registro ganhou estrondoso sucesso de publicação, pois esta carta fora enviada a seu amigo Piero Soderini, um dos principais mandatários de Florença.

Munidos de um Calendário Litúrgico, começaram a batizar os diferentes lugares onde atracavam com nome de santos do respectivo dia, como por exemplo: em 28 de agosto, o Cabo de Santo Agostinho; em 1º de novembro de 1501 a baía denominada Baía de Todos os Santos. Após a parada em Cabrália, Gonçalo Coelho depara-se com dois degredados advindos da esquadra de Cabral, resgatando-os.

A frota de Coelho avançava sentido sul. Fez uma nova parada no início de dezembro em Porto Seguro, onde os marujos recolheram algumas toras de pau-brasil, árvore que teria a responsabilidade de doar seu nome ao futuro daquele território.

Em 1º de janeiro de 1502 a frota depara-se com uma paisagem paradisíaca, a chamada "boca do mar", cercada por montanhas arborizadas. Os tripulantes pensavam estar diante da foz de um rio, batizando o local com o nome de Rio de Janeiro. Vespúcio, cerca de um ano depois, em sua segunda viagem ao Brasil, voltaria a tal lugar, que o deixou profundamente extasiado diante de tanta beleza.

Alguns dias depois, Vespúcio avistaria outra beleza natural, uma bela enseada. Era 6 de janeiro de 1502, dia de Reis, então batizou tal lugar como Angra dos Reis.

Em fins de janeiro a esquadra batizou outra região, uma ilha de águas calmas, chamando-a de Cananéia, deixando, não se sabe ao certo por quê, de utilizar o nome de um santo, como feito até então.

Na metade do mês de fevereiro a frota deixa a ilha, munida com suprimentos suficientes para seis meses de viagem. Foram 49 dias de mar a dentro, sem avistar terra.

Os primeiros dias de abril foram apreensivos, segundo Vespúcio. Em 6 de abril ocorrera um longo período de escuridão em pleno mar, após terem atravessado forte tempestade. Agora o frio era também um grande inimigo. Américo Vespúcio relata que não suportavam os ventos gelados e afiados, em meio a muito nevoeiro. Diante disto, decidiram regressar a Portugal. Depois de navegar por um mês, atracaram em Serra Leoa (África), quando perderam uma das três caravelas, devido a uma epidemia de carunchos, comprometendo uma das embarcações.

[Américo Vespúcio, mostrado à esquerda e acima, a crer nos desenhistas e pintores, devia ser um homem magro, de testa alta e nariz aquilino.]

Depois de 15 dias no continente africano partiram rumo a Lisboa, chegando em 22 de julho de 1502. Foram 14 meses de viagem, porém não trouxeram qualquer notícia sobre a existência de riquezas do território descoberto por Cabral.

Ricardo Fontana afirma que, graças aos registros de Américo Vespúcio, a Coroa portuguesa pode contar com um aval científico quanto à posse jurídico-política de Portugal sobre a terra de Vera Cruz. Segundo o autor, este era um dos principais objetivos da primeira viagem de Vespúcio, os dados que ele pode colher iam ao encontro exatamente das descrições de Pero Vaz de Caminha quanto à descoberta cabralina. Fontana reconhece sua importância para a história do Brasil, e nos diz: Graças à intuição e ao trabalho de Vespúcio, primeiro nasceu o nome do Brasil (1501-1502), depois o de América.

Carta especulativa de Américo Vespúcio



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